Lâminas do Inverno

:: O Prólogo ::

Era um pesadelo. Só podia ser, afinal porque a escuridão? As noites não eram tão escuras assim, não para a menina. Ela conhecera uma vida até que um tanto requintada, iluminada apesar de tudo. Não estava acostumada à escuridão. Não àquela escuridão. Esticou as mãos para frente na esperança de tatear algo sólido, mas sem resultado. Decidira então caminhar lenta e cuidadosamente. Podia ser que encontrasse a luz mais a frente, na melhor das hipóteses.

Caminhou durante mais um tempo, sem resultado. Agora a menina começava a demonstrar-se impaciente e desesperada. Nem mesmo o maior salão de sua morada se comparava com aquela frustrante distância percorrida. Finalmente ela começou a correr aos prantos gritando pelo nome de seus pais.

Correu até cansar-se. Por um momento fugaz pensou estar morta. Podia ser que estivesse. Até que então ela se lembrou das palavras do padre sobre a vida e morte, e o Além. Não, não estava morta e isso já era um alívio, apesar dos pesares. Mas tinha que sair daquele sufoco. Lembrou-se então da última coisa que poderia ser. Magia. Sim, certamente era magia; o que mais poderia ser? Para eliminar as trevas, bastava um pouco de luz.

A esperança renascera na criança. Por sorte, ou destino, ela havia aprendido um pouco das artes arcanas e, por mais sorte ainda, ela sabia criar a luz. Bastava fazer como havia aprendido. Era simples, apenas alguns gestos e a pronúncia correta das palavras de poder e a escuridão se esvairia.

Por este parágrafo, pode-se ver que certamente ela não era uma menina comum. Afinal, para dominar a magia são necessários anos e mais anos de estudo, além de uma dedicação sem par. Poucos são os com privilégios de poder ingressar em alguma ordem arcana. E ela o tivera. Não apenas pelo seu nascimento fortuito, mas também pela sua inclinação pela Arte.

Preparou-se então para poder evocar a luz. Seus delicados braços abriram-se em um semicírculo, formando um arco pleno na horizontal. Então ela os esticou em frente com os dedos das mãos fechados, exceto pelo indicador apontando para cima e os polegares se encontrando. A estes gestos, somaram-se o som de sua suave voz de menina jovem:

-An anwëyar as gaien – Tah el an zir!

Nem um efeito. Ela sentira a energia canalizada através de seus dedos, mas nada acontecera. Agora sim havia motivo para perder as esperanças e cair em desespero. Sentindo-se sem mais forças, tombou em joelhos, amargurada. Eis que então, ao se ajoelhar, ela toca em algo sólido que não o piso. Tateando, a menina segurou o objeto. Pela forma, parecia uma espada curta, ou algo do tipo, até que em seu exame, ela deixou escapar um pequeno gemido de dor: a lâmina lhe fizera um pequeno corte na mão.

De súbito, o som pareceu esvair-se em um mutismo absoluto e as luzes se acenderam. Em um borrão de imagens, ela perdera a noção do tempo e espaço. Algo muito vermelho à frente, cores doiradas, um quadro, uma cama, gritos desesperados, gritos de dor, gritos de agonia, gritos dela.

As imagens deram lugar a uma cena mais visível, como no despertar de um sonho. Aos poucos ela ia se acostumando à claridade aparentemente normal, quando o que ela viu por frações de segundo, a deixou completamente aturdida e sem reação.

Estendidos em uma cama de ricos detalhes, estavam dois corpos. Um homem e uma mulher, os olhos revirados nas órbitas. Estavam mortos.

Ela não podia acreditar na cena que via. Por breves instantes ela ficou estática, para então seus olhos umedecerem de lágrimas transbordantes. Aquilo era mentira. Era mentira! – uma voz ecoou em sua mente. A menina então percebeu que quem estava gritando essa frase era ela mesma.

Eis que então os olhares convergiram a ela, o que a deixou em uma posição defensiva. Recuou um passo, dois, três… até notar o que realmente as pessoas estavam olhando. Em sua mão estava a espada curta embebida de sangue até o cabo.

Arregalou os olhos para o objeto e depois fitou as pessoas à frente. Apenas uma palavra formou-se em seus lábios: – Por que?

Ela estava tonta. Ainda estava em transição dentre as imagens borradas e o real a sua frente. As vozes a confundiam, a visão dos corpos a deixava sem ação. O que afinal estava havendo?

Sentiu então um par de mãos leves a tocarem de leve em seus ombros para então puxá-la leve e delicadamente para si, ocultando a sua visão. A pessoa que a apertava contra si era uma das criadas do palácio. Mais precisamente sua melhor amiga e aquela que foi sua ama-de-leite. Era uma mulher madura, de longos e belos cabelos negros, de tez rósea. Seu rosto era o de uma pessoa serena, mas agora mostrava-se com uma face preocupada.

A menina virou-se reconhecendo a criada. Seus olhos imediatamente umedeceram de lágrimas. Com a voz embargada ela repetiu a pergunta:

– Layfha… por quê?

Os corpos estendidos na cama eram o do rei e rainha de Lehainas. Seus pais.
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“Até mesmo no mais gélido dos invernos, uma tênue chama resiste com seu ínfimo calor.”

mapa_laminas

– As Lâminas do Inverno é uma trilogia, na qual é contada a história de Forwën e de Nynther. Ela é uma proscrita em seu próprio reino, ele, um proscrito também. Ela precisou trabalhar como mercenária viajante para sobreviver, ele, tornou-se o líder de um grupo de bandidos, saqueando vilas. Tudo muda para ambos, quando Nynther invadindo uma vila, acaba capturando Forwën. Em uma convivência que se inicia no inverno, cada um descobre no outro a luz que procuravam para mudarem suas vidas. É então que eles descobrem uma trama que havia se iniciado bem antes dos dois nascerem e que Forwën, está diretamente ligada a ela.

As Lâminas do Inverno: Livro de mesmo nome da trilogia. Conta como Forwën se integra no Bando das Espadas Duplas e sua relação com o fechado, porém carismático líder, Nynther Yanath. O livro detalha a vivência do bando que é numeroso e unido por um objetivo comum: sobreviver. Paralelo a isso, Forwën descobre mais sobre Nynther enquanto revela o que ela sabe sobre si mesmo para ele. Até que eles precisam fugir para o reino místico de Alfheim, lar de Nynther e local de onde ele fora banido por um crime que não cometera.

Os outros dois livros são: A Pedra do Esquecimento e Senhora da Magia, na qual grande parte do passado de Forwë será revelado e uma pérfida trama que fora tramada há gerações, envolvendo-a. O conteúdo deste material será primeiramente divulgado por meio de ilustrações e aos poucos com os posts e a medida em que as Lâminas do Inverno forem escritas.
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:: Principais Personagens ::

Aqui estão os personagens principais que compõem esta história. Por ora, serão apresentados apenas os personagens de Lâminas do Inverno. Dos outros dois livros, A Pedra do Esquecimento e Senhora da Magia, os personagens ainda serão apresentados aos poucos

– Lâminas do Inverno

FORWËN LAINAS: Forwën é uma moça de média estatura com traços de mulher que acaba de deixar a adolescência porém com algumas características físicas infantis. Em seus modos porém, nota-se uma mulher esbelta. Com pele de um alvo delicado e pequenos lábios bem delineados, o que mais lhe chama a atenção, são os seus inconfudíveis cabelos brancos o que lhe dá uma aparência também fria quando ela quer. Possui origem nobre, mas foi obrigada a fugir de sua condição, ainda menina. Para sobreviver ela trabalha como mercenária viajante. Seu objetivo é alcançar o Reino Oculto de Alfheim pois lhe foi revelado que a verdade sobre si mesmo se encontra lá. O problema é que: ninguém sabe onde fica tal reino, nem mesmo se ele existe de verdade.

– NYNTHER YANATH: Meio-elfo foragido de Alfheim por um crime que não cometera, foi acolhido por um grupo de bandoleiros. Muito tempo ele permaneceu no grupo sendo o discípulo do então líder. Após a morte deste em um ataque mal planejado a uma cidade, ele torna-se o líder do grupo. Porém, isso implica em bem mais coisas. Alto, pele morena por causa do Sol, com longos cabelos castanhos escuro a cair sobre os ombros, possui um temperamento forte, controlando o bando com mão-de-ferro. Hábil espadachim, maneja com precisão mortal duas cimitarras tal e qual o antigo líder. Daí o nome do bando.

– LAIGHAS: Segundo em comando no bando, possui também temperamento forte e violento, demonstrado até mesmo em seus gestos. Autoritário e desordeiro, apenas obedece Nynther por causa da força deste. Seus olhos são castanhos e seus cabelos, loiros com uma barba malfeita adornar a face. Seu olhar porém é desviado para a única mulher que ele deseja, não importa o meio: Forwën.

– CHANDER: Um dos mais jovens integrantes do grupo. É um garoto de apenas 15 anos, mas com habilidades surpreendentes. Seus negros cabelos são curtos, ondulados. Sua pele, do mesmo moreno dos homens do bando. É um fiel seguidor de Nynther e futuramente uma das peças mais importantes para o bando. Ele deseja provar a si mesmo do que é capaz de realizar. Possui temperamento calmo e concentrado: algo inédito para alguém de sua idade.

– BEATRICE: Uma das mulheres responsáveis pela coleta e preparo de alimentos do bando. Possui 16 anos e é amada por Chander. Quando Forwën é capturada, ela é responsável para cuidar dela enquanto se recupera de seus ferimentos. É ela quem mais ensina a Forwën sobre o modo de vida do bando e o porquê de todos seguirem a Nynther. Graciosa e gentil, pouco se parece com as mulheres rudes, camponesas.

– ERLENAS: Elfa de grande sabedoria e força. Mercenária, foi a mestra de Forwën. Ela mesma possui um passado obscuro, mas nada revelou à sua discípula. Seu cabelo é castanho claro, ondulados e seus olhos possuem uma cor meio amarelada. Também de Alfheim, ela nada revelou à Forwën. Erlenas desapareceu no dia posterior, quando na noite, Forwën lhe mostrara uma pedra advinda do Reino Oculto revelando-lhe a sua vontade.

– ALDAN: É o curandeiro do Bando. Homem já de idade avançada, admira Nynther e sua força para comandar o grupo. De tom lento, Aldan já possui seus cabelos brancos. Todos os homens e mulheres o respeitam devido à sua capacidade de curar aqueles que já lhe vieram pedir ajuda. É um homem pacato e com aversão a guerras. Caiu no Bando das Espadas Duplas por um motivo que ele não revela.

– MARDUN: Um elfo que possui grande conhecimento da natureza, sendo um guerreiro da mesma. Exímio arqueiro é o verdadeiro exemplo do caçador. Mais paciente que Nynther, é rival deste, quando ele era de Alfheim. Seu título o precede: Guerreiro Verde. Seus cabelos são castanhos e seus olhos azuis.

– CAPITÃO ADEREON: Poderoso guerreiro, já possui os seus cabelos brancos, porém ainda está no vigor de sua forças. É um oficial do império de Miriath. Sua missão é a de permanecer na fronteira de Miriath com o reino de Lehainas, local onde se passa a história. Estrategista experiente, faz uso de sua rede de espionagem para se manter bem informado sobre os inimigos e planejar a melhor estratégia.

– ORLUC: É um experiente observador, agindo como melhor espião de Adereon. Sua especialidade é a infiltração no território inimigo. Seus olhos profundos são negros, bem como o seu cabelo. Seu rosto parece o de uma ave de rapina, pronta para o bote. É um homem sinistro e quieto.

Nota: Os personagens de Pedra do Esquecimento e Senhora da Magia, serão divulgados aos poucos

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