E mais sobre Maria

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Decidi falar um pouco mais acerca do projeto “Maria”, devido aos comentários no post anterior. Talvez tudo devido a um mal entendido acerca do pouco que escrevi. Portanto, aqui vou falar mais do projeto e colocar o meu ponto de vista sobre o mesmo.

Essa é a vantagem de um blog. Instantâneamente você tem o feedback do leitor podendo se comunicar diretamente com o mesmo.

Bom, primeiramente, aos marinheiros de primeira viagem: Maria é um projeto meu de HQ (quadrinhos), no qual conta-se a história de uma menina de 14 anos que mora nas ruas e é abusada sexualmente. Como amigos ela tem as prostitutas e travestis (que são veementemente contra a situação da menina, mas infelizmente não podem fazer nada) e um outro garoto abandonado de nome João.

Fácil perceber agora a idéia central, não? Não? Tudo bem, vou explicar: é a história de João e Maria (ou Hansel e Gretel se preferirem ¬¬) recontada de uma forma… BEM diferente. A bruxa aqui no caso… é a máfia exploradora de crianças, que AQUI NA HISTÓRIA mantém as crianças em boa forma para poder vender sexualmente seus corpos e faturar uma grana em cima disso.

Como palco escolhi COMO BASE a cidade de Fortaleza: cidade onde moro. Nada mais óbvio, pois se eu estou no Brasil, tenho que me BASEAR no que existe aqui. Isso é algo que já foi dito em outros posts. Mas não preciso fazer igual ao que é. Senão vou cair no Regionalismo e isso praticamente mata uma hq.

Mas ainda… por que Fortaleza? Também não foi por acaso. Essa cidade tem um dos maiores índices de turismo sexual de menores. Mas não é bem em Fortaleza que a história se passa, mas sim em qualquer cidade.

O que causou a confusão do post anterior, foi acerca do design da personagem. Vestido azul e cabelo liso. Acontece é que ela é a ÚNICA a ser assim. Se eu fosse retratar a vida como ela é, o apelo inicial da HQ iria sumir. Maria tem esse design porque ela tem que chamar a atenção do leitor. Na vida real, geralmente meninas de rua usam um shortinho mínimo, com uma blusa qualquer ou regata. Maria usa um vestido azul (rasgado e sujo!) porque o vestido é a simbologia universal para pessoas do sexo feminino (vide portas de banheiros por exemplo) além de trazer na personagem um caráter de criança inocente o que chama ainda mais a atenção. Quanto ao cabelo liso, quem disse que na rua não existem crianças com tipo de cabelo assim? Além do mais, já citei acima de que a máfia exploradora faz o papel da bruxa.

E não é só isso. Em “Maria” o ambiente é louco e diferente. A base é Fortaleza, mas para ser sincero, apenas em relação às localidades. Mesmo para alguém que more aqui, dificilmente serão reconhecidos certos locais. Aliás, será impossível porque eles não existem. Ora, quando digo base, é que de algum ponto nós devemos partir. Mais abaixo, citarei alguns exemplos que passam desapercebidos por muitas pessoas, mas por mim não, em relação a várias séries. Não os culpo, afinal, geralmente ficamos tão absorvidos em uma coisa que esquecemos que até mesmo grandes projetos por aí afora, utilizam certos elementos apenas como base. Esse é o segredo.

A personagem Maria é órfã e vive na rua desde que tem memória disso. Ela é triste e alegre ao mesmo tempo. Dotada de uma esperteza natural, ela gosta de observar as pessoas e os diversos arquétipos nas ruas. Pois a rua é a sua casa. Apesar dos pesares, as prostitutas da rua cuidam da menina. Uma delas, que sabe costurar, até mesmo fez uma boneca parecida com ela.

Ela mora em um local chamado de “Cercado”. É onde vivem outras crianças mantidas por essa máfia exploradora (aí está a referência da casa da bruxa). De lá, estrangeiros (e pessoas da cidade) pagam pelos serviços de utilizar as crianças.

A Fortaleza fictícia, em nada se parece com a Fortaleza de verdade. Cheia de luz e trevas, o nome é por causa do conjunto de prédios que de longe parece formar mesmo as muralhas de uma fortaleza de verdade (agora peguei vocês nessa hein?). Existem apenas três locais na cidade: o Porto e os Cortiços, que é a zona pobre da cidade; A Orla Marítma que é zona de transição e a Aldeota (ou Aldeia Morta como chamam as crianças), bairro rico e exageradamente luxuoso.

Maria é uma história que envolve a protagonista de mesmo nome e seu amigo João, na qual, juntos irão redescobrir a cidade em que moram e procuram superar certos obstáculos, sendo a máfia, um deles.

Maria é a garota esperta e tagarela (mesmo contrastando com o fato de que garotas que são exploradas, são tímidas, com um ar de tristeza e caladas), isso porque apesar dos abusos, ela procura ser desse jeito para ter uma válvula de escape para esquecer o que ela sofre (ela o faz inconscientemente). Já João é o tímido, mas também esperto e traquinas.

Confesso que minha maior inspiração vem de Tekkonkinkreet (conhecido aqui como Preto e Branco), no qual em uma cidade fictícia, dois órfãos completamente diferentes entre si, lutam contra a Yakuza. A cidade é fictícia, chamada de Treasure Town, mas a base para quem já viu, é Tóquio, ou outra cidade contemporânea oriental. Entendem agora?

De certa forma, as semelhanças param por aí.

Pois quadrinhos (sobre tudo mangá/manhwa e semelhantes) é isso. Você pegar um tema e mudá-lo completamente.

Citemos agora alguns exemplos de séries famosas mas que MUITOS se esquecem disso que citei acima.

Por exemplo, que tal Death Note? Será que os Shinigamis (Deuses da Morte) são mesmo daquele jeito e escrevem nomes em cadernos? Na lenda real, até onde eu sei, não é assim. Sem falar de Bitc… digo, Bleach! Que usa do mesmo tema, mas de forma diferente. Ou até mesmo Soul Eater. Que tal então…Charut… digo, Naruto? DESDE QUANDO EXISTEM NINJAS DE LARANJA?! DE LARANJA?! Em One Piece, será mesmo que piratas eram daquele jeito? Dê uma olhada na História (com H maiúsculo) e confirme. E que tal as histórias de samurai? ATé onde eu sei, uma luta entre samurais leva um tempo enorme por que é um adversário estudando o outro, pois as técnicas eram para matar mesmo e bastava um golpe. Nunca existiu esse negócio de trocentos golpes sendo defendidos e rebatidos, além do que pelo fato de que existem diversas HQs (japonesas) retratando também tal tema mas de forma BEM diferente. Isso para não citar o fato de que nas séries, sempre que um estrangeiro vai para o país, ele sabe falar o japonês fluentemente.

Me referia a essas séries porque são as mais famosas. Não estou levantando a questão se são boas ou ruins ou se são modinhas ou não. Quero apenas citar esses exemplos de que, mesmo havendo uma certa “salada” não foram feitos ao acaso. Cada um deles tomou um tema geral e o desenvolveu, modificando-o totalmente, mas mantendo a idéia geral.

Em Maria é assim. Estou pegando um tema que nem brasileiro é, mas sim Universal, apesar de ser uma triste e forte realidade da cidade, e inserindo-o em um contexto com base daqui, mas sem cair no regionalismo.

É assim que eu acredito que seja o caminho. Se eu estou certo ou errado, não sei. Só sei que esse é o primeiro projeto que vai sair e nesse ano ainda, vocês poderão ler as páginas (se não todas, pelo menos boa parte do começo).

No mais, fica abaixo, mais alguns rascunhos para vocês

mariaske02Esse é o João

mariaske04E o travesti Stephany (não, não é a da CrossFox)

mariaske03

9 Respostas to “E mais sobre Maria”

  1. Bruno (Shooting Star) Says:

    kkkkkkk da Crossfox auihaiuhauihai!

    Gostei do tema e da relação com João e Maria.
    Boa sorte e estamos ai.🙂

  2. CiliO Says:

    A tua Stephany tá meio “mulher feia” sabe… Trava e mais espalhafatosa sabe. Tipo brinco argola, cores berrantes na roupa, maquiagem pesada de dia, e a necessidade de usar roupas da moda, não interessando muito como eles vão ficar.

    Mas os seus desenhos estão FODÁSTICOS! Parabéns Mestre, e eu adorei o João ele parece ser um personagem legal.

    Espero nesse fim de semana estar terminado a 2ª edição de GAIA: O coração perdido. Hei tu topa pintar a capa da 3ª edição?

  3. CiliO Says:

    PS: A do Cross Fox é Stheffany e não Stephany… =P

  4. É mestre, você tem razão nesse ponto. Ela tá muito “comportadinha”. Em relação às cores… bom, o desenho tá preto e branco né =/. Valeu Mestre, tou tentando me achar no desenho ainda. Talvez o caminho esteja aí…

    Eu pinto sim, cara. Vamo discutir isso melhor aí que eu faço…

  5. Pois é!😀 Apesar que o Cilio já me advertiu que é Stheffany… mas bah, a pronúncia é a mesma!

    Bom, vamo lá!

  6. CiliO Says:

    ò_Ó eu sei q tá P&B… aff ¬¬’

  7. Graco Says:

    Gostei da idéia da história ser uma alegoria do conto de joão e maria, muito interessante, é um excelente ponto de partida.

  8. Vamo que vamo!

  9. Pedofilia, travestismo e exploração sexual. Que lindo. Não basta essas mazelas ocorrerem na realidade agora serão tema de quadrinhos. Só queria saber o que o autor quer passar com isso. Mostrar esse lixo de vida por mostrar não significa nada. “Denunciar” esse tipo de situação é pura bobagem se a denúncia não atingir o cerne da questão que é a invisibilidade social dessas pessoas e como a corrupção, falta de vontade social e a hipocrisia dos nojentos estupradores de crianças colaboram para que isso ocorra.

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