Criação de Personagens

rasc_mina

É isso mesmo, como você leu no título: Criação de Personagens.

Isso é algo que eu venho escrevendo ao longo dos tempos aqui no blog, mas jamais dediquei um post exclusivo a isso.

A personagem, como muitos sabem (ou deveriam saber), é aquele movimenta a história. Esta, tem a personagem como referência e o desenrolar da trama funcionará junto dela.

Há um série de perguntas que deverão ser feitas à personagem, de forma a auxiliar o autor na construção da personalidade e pequenas peculiaridades da personagem. Estas perguntas se encontram no fim do post.

A questão que quero discutir é: como tornar a sua personagem um ser com vida?

É simples: faça-a existir!

Pondere um pouco sobre essa frase: “Faça-a existir.” –  Não estou me referindo a desenhar a personagem. Isso qualquer um consegue. O que quero que você pense é no ato de dar uma alma e personalidade à sua criação. E quando isso acontece? A resposta é quando as pessoas se referem à personagem como alguém e não como uma coisa.

Ora, sabemos que uma personagem, de forma prática, não passa de uma representação visual de algo (objetos também podem ser personagens, ora bolas!) ou alguém em um determinado suporte e que esta personagem possui características próprias inerentes em relação as outras.

Mas falta-lhe algo e isso é a alma da personagem.

Citemos alguns exemplos de personagens bastante conhecidos dos quadrinhos, filmes e games:

– Batman, Homem-Aranha, Naruto, Pato Donald, Sandman, Luke Skywalker, Kratos, e por aí vai…

O que eles tem em comum? Simples, o fato de que as pessoas se referem aos personagens como alguém que existe. Muita gente comenta, por exemplo que o Peter Parker é um cara emo porque é chorão demais, outros comentam que ele é assim porque o coitado só levou nas costas desde que virou o aranhudo. Muitos comentam que o Naruto é um zé mané bobão e idiota. Outros comentam que o Kratos é um carniceiro e ficou mais ainda depois que foi sacaneado pelo Ares… e assim por diante. Perceberam a coisa? Não? Então leia abaixo:

Ninguém (ou pelo menos pouca gente) comenta: “Ah o Stan Lee fez o Peter Parker muito chorão”; “Nesse número aqui, o roteirista fez com que ele superasse os dilemas dele! Legal!”; “O Kishimoto fez nesse número o Naruto deixar de ser bobão e encarar as coisas com seriedade”…

Agora ficou mais fácil de compreender. Cada personagem, atente bem, possui uma forma diferente de ver o mundo e de agir em certas situações. Muita, mas muita gente mesmo, comete o erro de partir logo para o desenho da HQ, jogando a personagem de qualquer jeito na história. O que você tem é uma casca vazia sem personalidade. Pior é quando aparecem outras personagens igualmente sem personalidade. O leitor tem a impressão de que são todos de papel, e estão ali por acaso.

Tudo bem, eles podem estar ali por acaso sim, afinal, podem ser meros coadjuvantes, mas perceba um exemplo em relação ao mundo a sua volta. Citemos outro exemplo:

– Você vai pegar um ônibus. Na parada, existem cinco pessoas: duas mulheres e três homens e uma criança do sexo masculino. Esses seis são: um casal de adolescentes (namorados), uma mulher gorducha, um homem barbudo fumando um cigarro, o outro homem usa boné e a criança é provavelmente filho dele.

Os adolescentes estão vestidos casualmente, ela com jeans e uma blusinha branca de regata com uma mochila preta nas costas com vários chaveirinhos; ele está com jeans também, uma camisa um pouco grande para ele, com outra camisa de manga longa por debaixo e uma mochila também nas costas, cor preta com vermelho – ambos estão em pé; a mulher gorducha está usando um vestido que não combina em nada com ela, ela está com vários sacos de compra de supermercado; o homem barbudo também está vestido casualmente: jeans, cinto, e uma camisa de botão com estampa xadrez. Ele usa óculos; já o homem de boné, não está vestido tão bem segundo os padrões estabelecidos de nossa sociedade, o que indica que ele pertence a uma classe social menor. Ele usa uma bermuda vermelha e uma camisa não tão limpa na cor preta, seu boné é vermelho também. A criança está vestida de forma parecida, mas sem o boné. Sua camisa é amarela e a bermuda, azul.

Muito bem, você chega lá e fica em pé esperando o seu ônibus. Como nossa sociedade é individualista, ninguém fala com ninguém. Cada um cuidando de sua própria vida. Você fica entre o o casal e o barbudo. O homem com a criança está um pouco atrás e a mulher gorda, como já citado, está sentada. De início você se incomoda com aquele cochichar seguido de beijos cinematográficos do casal. Do outro lado, um cheiro ruim infesta a área: é o homem barbudo que dá fortes tragadas e expele a fumaça ao centro, sem se importar com ninguém. A mulher gorducha reclama consigo mesmo em voz alta, do calor. E por fim, o homem do boné está na dele, procurando manter quieto o menino que não consegue ficar parado.

Eis que o ônibus chega e coincidentemente, todos irão embarcar. Você, esperto e ágil, é o que tem a iniciativa de subir logo (mesmo porque ele parou na sua frente). Mas por instinto ou curiosidade você observa as outras pessoas a subirem. Logo depois, sobem o casal de namorados: são os primeiros a subir depois de você. Eles agora deixam o cochicho de lado e ficam falando alto, comentando sobre uma terceira pessoa, entre beijos e amassos; O homem do boné levanta o menino a tiracolo e sobe também ao mesmo tempo em que desajeitadamente tenta tirar o dinheiro da passagem; a gorducha pede ajuda ao barbudo para ajudá-la a subir com as compras ao que é ignorada, ela resmunga alguma coisa e com muita dificuldade consegue subir. Você em um impulso de solidariedade, a ajuda e é agradecido calorosamente ao mesmo tempo em que ouve dela xingamentos em relação ao barbudo; este último, por fim, esperou todos subirem para dar umas últimas tragadas nervosas no cigarro até que, em um outro impulso de falta de educação, ele joga o resto do cigarro para o chão. Ao subir, todos sentem o cheiro daquele homem que fuma até demais.

Para o seu azar, o ônibus está lotado. Você vai ter que ir em pé. A gorducha prefere esperar para poder passar com tudo aquilo; o casal passa logo pela catraca; o homem barbudo passa logo e o homem com a criança também. Ao passar por um cobrador extremamente mal humorado e mal educado, você vê que uma pessoa sentada se ofereceu para segurar as mochilas do casal. Eles agradecem; em relação ao barbudo, é notável que todos se incomodam com o cheiro de nicotina que emana daquele homem; a gorducha resolve passar pela catraca, com dificuldade. Um homem lhe oferece o lugar e ela agradece também. O homem de boné com a criança ficam no canto deles. É difícil passar com aquele amontoado de gente. Curiosamente, cada um deles desce antes de você. O barbudo sai empurrando as pessoas até chegar na porta; o casal parece que se tornou um e passa também, com aquelas mochilas que mais parecem cascos, eles também não pedem com licença; o homem com boné pede licença, mas a criança sai cortando caminho e empurrando de qualquer jeito, por fim, a gorducha tem extrema dificuldade de passar com todas aquelas compras. Antes que ela chegue na porta, o motorista arranca para a próxima parada, ela grita que ainda vai descer e ele finge que não ouve. Na outra parada, ela discute furiosa com o motorista e desce. Nessa mesma parada, um idoso sobe e alguém lhe oferece um lugar ao que ele recusa polidamente. Finalmente, você desce, também com dificuldades. Você ainda ouve o motorista praguejar contra a gorda. Você se abana todo por causa do calor tanto externo quanto interno no ônibus e vai caminhando tranquilamente para o seu destino. –

Viram como é simples? Com estes seis coadjuvantes, fiz pessoas do dia-a-dia, com personalidades ou intenções no momento, bem diferentes uma das outras. O casal, meio educado, meio egoísta, só quer saber de se agarrarem sem o menor pudor (ah esses adolescentes!); O barbudo é extremamente mal educado e tá nem aí para os outros; a gorducha é alguém comum, mas com traços que lhe caracterizam. Agradece e ao mesmo tempo gosta de brigar. Por fim, o homem de boné, é humilde, fica na dele ao passo de que a criança é hiperativa e não compreende o que é invadir o espaço pessoal dos outros.

Com personagens importantes a coisa muda um pouco. Você precisa ser mais detalhista, afinal ela é aquela no qual os leitores irão interagir mais e se identificar! É a personagem que vai despertar a admiração, a raiva, amor ou ódio do leitor. A maioria das vezes, não é uma coisa direta, mas sempre haverá essa comunicação da personagem com o leitor. E para isso, ela deve ter emoções, sentimentos, angústias e alegrias.

Ao criar sua personagem, você deve realizar uma pesquisa em relação a sua história. O primeiro ponto e já discutido aqui é: aonde e em que época sua história se passará? Mesmo que seja fantasia, alguma base você deve ter! E mesmo que a história se passe em determinado ponto, nada impedirá que sua personagem seja natural de uma outra região. Então, você deverá fazer a seguinte pergunta: “Como ela chegou lá e o que essa reigão diferente da sua região natal, afetou seu modo de vida e de ser?”.

Meu caro amigo JJ Marreiro , gentilmente me forneceu um scan de uma página de uma apostila que ele confeccionou faz um tempo, o que ajuda muito acerca do parágrafo anterior e da série de perguntas à personagem que estão no fim deste post.

Voltemos a região do personagem. Quando você determina a região dela, fica fácil obter informações a respeito da mesma. Para isso, você deve fazer um levantamento geral desta região. Pesquisas nos campos Geográficos, Sociais, Políticos, Culturais e Linguísticos. Religião também conta em certos casos. Será que a política, a vida social e econômica da região, possuem influência sobre a personagem? Sabemos claramente que tais pontos são bem diferentes no EUA, na China, no Japão e no Brasil por exemplo. Não vá pensando que é tudo igual. Quer um outro exemplo? Na China, certos sites são bloqueados várias vezes e depois desbloqueados sem aviso nenhum, sendo algo que não dá para burlar com proxys e afins, tudo para não permitir o vazamento de informações. Tudo é controlado. Nesse mesmo país, na escola, as garotas devem ter o cabelo curto e os garotos o cabelo cortado de forma a ficarem quase carecas. Já no Brasil, a internet é livre e os estudantes usam o corte de cabelo que quiserem nas escolas. Isso para não falar das ruas, da estrutura familiar, da economia do país…e por aí vai.

Está começando a compreender como a coisa não é jogada a solto, não é? Entende agora, alguns pontos no qual a maioria esmagadora dos fanzines por aí, pecam? Aí está o pecado da “emulação”. Quando o quadrinhista joga de qualquer jeito seus personagens em uma cidade que aparenta ser do Japão, com uniformes colegiais que aparentam ser do Japão e com expressões linguísticas que aparentam ser do Japão! (-chan, -kun, -san… e por aí vai). Assim sua personagem não tem característica própria. É apenas uma cópia (malfeita) de uma personagem de algum mangá famoso por aí.

Para ajudar na criação da personagem (e de certa forma, consequentemente da história, afinal, como já escrevi, as duas caminham juntas), já citei as peculiaridades da região em que ela vive ou nasceu e na qual a história se passará. Deixei por fim, uma série de perguntas que você deve fazer a sua personagem e responder como se fosse A PRÓPRIA respondendo. Algumas dessas perguntas obtive deste scan que o JJ me forneceu, outras eu procurei por aí pela internet e outras eu adicionei por conta própria.

Usarei minha personagem Mina e a história de Inocência, as mais desenvolvidas de todas, como exemplo para respondê-las, afinal, sempre ao longo de nossa vida, agimos pelos exemplos. Vamos lá:

————————————

Primeiro de tudo, Inocência se passa em uma cidade a qual jamais será dito o nome, para tornar a história um pouco mais universal. Logo, consequentemente o ano não será revelado. MAS, eu tenho uma BASE e é nela que eu trabalhei. Minha base, como não poderia deixar de ser, é o Brasil. Para caracterizar os elementos da HQ, peguei elementos de várias cidades do país, inclusive da minha, Fortaleza. Exemplo? Em algumas cidades do Brasil, as pessoas sobem nos ônibus pela porta da frente. Aqui em Fortaleza, elas sobem pela porta de trás. Em Inocência, as pessoas subirão por trás. Outro exemplo é: São Paulo (e outras cidades), possuem metrô. Fortaleza…. bem, é um caso para alvo de risos, pois aqui tem o Metrofor que é o projeto do metrô da cidade que era para estar concluído mais ou menos no ano 2000. E só será efetivamente concluído agora por causa da Copa de 2014. E assim por diante.

A menina tem 15 anos de idade, logo, haverão cenas no colégio. Aqui no Brasil há algo chamado uniforme escolar que consiste de calça e camisa. E assim será feito. Nada de sainha com camisa de marinheiro. Ou saia, com paletó e gravata (Inglaterra).

Não direi o ano, é verdade, mas fica extremamente claro que a história se passa em um período contemporâneo, em uma cidade contemporânea, cujos elementos urbanos já citei acima. A vantagem da arquitetura de uma cidade contemporânea é essa: os elementos arquitetônicos básicos, são bem semelhante, mas NÃO IGUAIS. Como por exemplo os prédios comerciais mais recentes: com sistemas “inteligentes”, altos e utilizando bastante o vidro em sua fachada.

Como é uma HQ cuja ambientação possui como base o Brasil, então é fácil saber como funciona a economia, política e a vida social. Sociedade consumista, do “compre e seja feliz” e por aí vai. Somado a tudo isso, a trama principal da história e o ambiente pesado característico da mesma e já citado aqui.

Voltemos a falar da personagem agora. Para desenvolvê-la e torná-la real, você deve ter em mente o seu arquétipo. Ou seja, a sua natureza e a forma como ela exprime isso para fora. Como ela se relaciona com o exterior. Como é que ela age? Qual o seu passado? Quais as suas atitudes? Vamos agora às perguntas para a personagem. Lembre-se que você não precisa mostrá-la no decorrer da história. Elas servem para você traçar um perfil da personagem e para encaminhá-la naquela certa direção. Também NADA a impede de mudar de opinião e tomar outro caminho em certas atitudes no decorrer da história. Isso é até melhor. Pois é interessante que a personagem evolua, seja para melhor, seja para pior. Lembre-se também de fazer uma planilha com informações acerca da personagem.

Então, começemos, utilizando Mina como exemplo.

Nome: Mina Lilien dos Anjos (há! peguei vocês nessa hein? É a primeira vez que solto o último nome dela)
Idade:
15 anos
Altura:
1,59m
Peso: 51kg
Data de Nascimento: 10/10
Tipo Sanguíneo: O+
Aparência
: Olhos verdes, caucasiana, cabelo castanho claro, nem magra, nem gorda.

– Que comida você adora ou odeia? Que memória está associada a essa comida em particular?
Adoro Lasanha e detesto sopa de cenoura. No orfanato, quando havia lasanha, era uma delícia!

– Você quebra coisas?
As vezes. Mas não é por querer.

– Numa festa, onde você fica?
No meu canto, afastada e longe das atenções.

– Se um mendigo se aproxima e pede dinheiro, o que você faz? Que filosofia está associada a esta ação?
Se eu ver que realmente é uma pessoa necessitada, eu ofereço dinheiro sim. Acho que a vida é mais difícil para alguns que para outros e sei bem o que é isso.

– Qual sua fraqueza em particular?
Eu diria, fraquezas. Minha falta de iniciativa e as vezes, falta de vontade de fazer as coisas. Resigno-me fácil e minha auto-estima não é das melhores. As vezes estou tão desanimada que me bate um grande desespero. Não consigo nunca vencer uma discussão e por isso, na maioria das vezes eu fujo delas. Tenho medo de relacionar-me com as pessoas.

– Qual sua obsessão?
Não sei, talvez cantar e estudar.

– Qual sua maior fobia?
Fobias. Claustrofobia e Nictofobia.

– Qual sua primeira memória de infância?
Fogo, muito fogo…

– Que sonho se repete durante sua vida?
Sombras me agarrando, Risos sarcásticos, uma roda e um abismo, vazio e escuro, infinito.

– Qual seu maior desejo?
Viver em paz.

– Qual sua preferência geográfica? Por quê?
Não possuo. Para mim tanto faz.

– Sua frase favorita de poesia ou música?
“Me liberte, seu paraíso é uma mentira”.

– Qual o mantra de sua vida? Ou sua filosofia de vida numa sentença.
Depois da noite, vem o dia e depois do dia, a noite retorna.

– Que nome daria a um filho ou filha?
Não quero ter filhos!

– Qual o maior erro que já cometeu?
Meu maior erro, ou melhor dizendo, meus maiores erros foram não saber me impor. Mas é que eu não consigo! Simplesmente, travo…

– Qual a maior dor que já provocou em outra pessoa?
Nunca causei mal a ninguém, eu acho.

– Gosta de animais? Se sim, qual o seu animal preferido? Por quê?
Amo. Acho que cães. Eles não se importam com o que você é e sempre estão ali para te consolar.

– O que acha que os outros pensam de você? Como a descreveriam em três palavras?
Louca, desmiolada, idiota, “menininha sem graça”, e por aí vai. Sei o que falam de mim e eu odeio isso.

– Se sentiria confortável limpando o nariz na frente dos amigos?
Óbvio que não!

– Que roupas gosta de usar?
Nada muito chique ou extravagante como as meninas da minha idade. Não gosto muito de usar saia, mas gosto de vestido. Porém, prefiro algo mais casual, como jeans, uma blusinha e sandálias ou tênis.

– O que acha de sua própria aparência?
Bonitinha…

– Por que usa o atual penteado de cabelo?
Prático para lavar e causa menos calor.

– O que é mais abundante no mundo? Alegria ou Tristeza?
O mundo é triste e louco.

– Você dorme bem?
Não. Pesadelos me ocorrem com frequência.

– Se você pudesse trazer qualquer pessoa de volta a vida, quem seria e por quê?
Meus pais verdadeiros. Motivos óbvios, me sinto só, muito só.

– Qual sua religião?
Não tenho, mas também não sou atéia. Acredito em algo superior, mas não sou muito religiosa.

– Qual sua visão política?
Não me interesso por isso.

– Fuma ou bebe?
Não e não.

– Com quem você mora?
Morei em um orfanato por um tempo. Até que aos 15 anos, consegui uma bolsa no colégio Elite. Atualmente moro sozinha em uma república estudantil.

– Tem alguma rotina diária? Quais são as suas atividades diárias?
Colégio de manhã, as vezes, alguma atividade do colégio de tarde. Estudo de tarde ou pratico violino. Na república, temos que fazer algum serviço para a mesma, assim temos almoço de “graça” por lá. No colégio faço parte do coral da escola. De noite eu gosto de passear. Gosto das luzes noturnas.

– O que você acha de sua cidade?
Feia e suja, mas também com partes boas.

– O que você acha das pessoas do mesmo sexo que você?
Não sei, conheço pouco as pessoas.

– O que você das pessoas do sexo oposto ao seu?
O mesmo da resposta acima.

– O que você acha dos seus contemporâneos?
As garotas são fúteis e extremamente sem graça. Querem dar ar de maduras, mas não passam de menininhas ainda piores do que eu! Depois elas que me chamam de louca! Querem sempre aparecer. Os homens são em sua maioria escravos das garotas e fica tudo se repetindo em um ciclo vicioso. Todos estão sempre pensando em si.

– Noite ou Dia?
Tarde.

– Qual parte de seu corpo que você mais gosta?
Olhos.

– Como é o local onde você dorme?
É uma república, tamanho mediano. Meu quarto é pequeno, mas eu gosto. Consegui comprar umas coisinhas para mim. Só não suporto a janela fechada.

– Se você encontrasse a carteira de dinheiro de alguém no chão, com muito dinheiro, o que você faria?
Procuraria a pessoa de todo o jeito. O que não é meu, definitivamente, não é meu!

– O que é a sensação de liberdade para você?
Voar sem amarras.

– Você se considera introvertida ou extrovertida?
Introvertida.

– Seus problemas são resolvidos por instinto, emoção ou razão?
Ora emoção, ora razão.

– O que acha do mundo? Tem pretensão de mudá-lo ou colaborar para isso?
Triste e cinzento. Como vou pensar em mudar o mundo se não consigo mudar a mim mesma?

– Quais são seus hobbies?
Música: Cantar e tocar violino.

– Têm amigos? Como eles são?
Se posso chamar de amiga… sim, tenho uma. É um pouco introvertida também, mas é sempre dividida e “avoada”.

– O que é engraçado e prazeroso para você?
Assistir a uma boa comédia. Prazeroso… talvez sair e esquecer as preocupações, e claro, tocar música.

– Você tem controle do que há a sua volta?
Algumas sim, outras não.

– Como você encara a vida?
Algo que vou contendo em meu coração e empurrando aos poucos. Não sei.

– Onde você passa seu tempo vago?
Em parques, shoppings ou no meu quarto praticando música.

– O que a motiva?
A procurar um sentido para minha vida.

– Do que você tem medo?
De muita coisa. Das pessoas, do escuro, de espaços fechados, de fracassar, de mim mesma…

– Como você age quando está com medo?
Fico sem reação.

———————

Compreenderam? Com essa série de perguntas. Tracei um pouco da personalidade de Mina. Melhor ainda que respondi como se fosse a própria respondendo, em 1ª pessoa. Assim, sabemos que Mina tem uma vida difícil, mora sozinha, adora música, é solitária e triste, não se lembra de seu passado, despreza as pessoas de sua idade, não se interessa por política e tem uma ânsia de mudar a si mesma, mas não consegue. É higiênica e se veste casualmente. É alguém com problemas psicológicos fortes e de uma força de vontade fraca. Prefere utilizar um escape do que enfrentar os problemas relacionados a si. Não tem perfil de líder, mas sabe agir sozinha. Isso para não falar de outras coisas que poderiam preencher parágrafos e parágrafos.

Essa é a complexidade de uma personagem e o que a torna real. Existem outras perguntas também, em relação a história e que deverão ser feitas a você mesmo. Veja abaixo:

– Como o sua personagem irá se comunicar com o leitor?
Para isso leia o post: Mina Lilien.

– O objetivo de sua personagem é verdadeiro?
No começo ela será apresentada, depois ao longo da história, ela terá um objetivo que vai evoluindo, evoluindo até chegar no clímax na HQ e o desenrolar para o final.

– Como sua personagem evolui ao longo da história?
Isso é algo que não dá para revelar, pois é um dos pontos chave para a história. Adiantando, será pela Música e pelo sentimento que primeiro como já revelado, é o de baixo-estima e resignação, até chegar ao ódio.

– Que mudanças serão marcantes na personagem?
Sua evolução.

– O que ele irá enfrentar?
Primeiro, fatores externos, depois e mais importantes, internos.

– Claro que mais perguntas surgirão no decorrer da história. Não há como responder todas. A medida em que você a for escrevendo, a personagem vai evoluindo, tanto dentro da história quanto em sua mente. Lembre-se que ela tem um objetivo motor que vai evoluindo aos poucos. As perguntas para a personagem ajudam também a determinar os tipos de escolhas que a personagem faz em seu dia-a-dia ou a longo prazo e também como ela reagiria caso uma situação adversa se mostrasse. É aí que ela tem que fazer uma escolha a qual não está acostumada.

Faça sua personagem se contradizer também. Ela possui características humanas, não é? Logo ela erra sim e muito e tem suas falhas. Ninguém é perfeito. Sua personagem também não.

Lembre-se dos arquétipos. Ele é a base da personagem. Mas ela é bem mais do que isso. Ela possui suas características físicas; pode ser educada em algumas situações e mal educada em outras; é egoísta em alguns pontos, mas possui acessos de bondade em outros; possui um jeito específico de falar; as vezes possui cacoetes; pode ter certas manias…e por aí vai.

Faça-a de forma que o leitor sinta atraído por ela. Lembre-se também que o leitor é que é o alvo final de toda essa conversa. Se você cria uma personagem, ela vai estar atrelada a algo que terá comunicação com o leitor, seja em um livro, HQ, outdoor, loja, etc. Claro que as personagens mais complexas são as de HQs e de livros.

Veja também a figura do antagonista. Este é alguém ou algo que irá contra a personagem (podendo o antagonista ser ATÉ MESMO A PRÓPRIA PERSONAGEM). Esqueça essa história de bem ou mal e concentre-se nos conflitos de cada um. Por que o antagonista está agindo daquele jeito em relação à personagem? Por que a oposição? Qual o motivo? Como eles se relacionam?

Veja que no fim, tudo são perguntas. Não se atenha apenas as perguntas deste post. Procure outras que se encaixem com suas história ou formule você mesmo as suas. Coloque-se no lugar do leitor. Quando você lê um livro ou HQ, você também se faz várias perguntas. Saiba usar os “por ques”. Respondendo a eles, seu personagem ganhará alma, objetivo e é claro existirá!

Portanto largue esse lápis ou tablet um pouco e vá escrever em papéis, lousas ou digite no computador. Faça sua personagem existir.

8 Respostas to “Criação de Personagens”

  1. Nanda Says:

    hum…eu nunca fiz isso… eu tenho q fazer…

  2. Faça sim. Torne seus personagens vivos!

  3. Graco Says:

    Para quem joga rpg a muito tempo já está bem familiarizado com isso há muito tempo
    XD~

  4. cara, curti demais isso. boa parte dessas coisas eu ja sabia, mas não sabia como organizar os pensamentos pra botar a criatividade pra funcionar… eu to escrevendo uma história, mas ultimamente não tenho conseguido desenvolver ela, tava apanhando muito pra escrever poucos parágrafos..
    por incrível que pareça, esse texto aí me deu uma inspirada, vou votlar a mandar bala na história =3

    muito obrigado, muito mesmo ^^

  5. CiliO Says:

    TLDR… Bem q tu podia… dividir isso em 3 quatro partes hein… mas enfim… salvando pra ler em casa com calma, mas pelo que li parece ser interessante. Assim como o Silvio acredito que algumas coisas eu já sabia, mas a parte da existêmcia foi muito maneira.

  6. Ué… dá no mesmo. Só ler até um ponto e depois ler o resto o.O. Larga de ser preguiçoso homem!

  7. Bom, já respondi lá no DA, mas.. é isso aí. Fico feliz que o texto tenha lhe ajudado em algo. Agora é escrever!

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