Quer fazer Quadrinhos? Então faça a História! Mas faça direito!

Tribo Humana - Quadrinhos de uma página que ficou entre os 10 primeiros no concurso de HQs da FNAC em 2008

Tribo Humana - Quadrinhos de uma página que ficou entre os 10 primeiros no concurso de HQs da FNAC em 2008

Antes de mais nada, sobre a HQ acima, é eu admito, tá piegas sim. Até hoje não sei como fiquei entre os 10 primeiros. Acho que o suborno deu certo. Enfim, para o concurso o autor tinha que fazer uma HQ de uma página com o tema: Infinitas Diversidades, Múltiplas Combinações – baseada naquela filosofia dos vulcanos do Star Trek (como o filme está aí bombando nos cinemas…)

Pensei então em uma historinha moral (argh), mas que tem um quê de verdade, com começo, meio e fim. E ainda, depois de dar umas olhadas em umas ilustrações do Milo Manara (opa!), fiquei tentando a testar uma HQ pintada com aquarela. Pois não é que deu certo? Bom, na verdade quase deu, fiquei entre o 4º e o 10º colocado (eles só divulgaram os 3 primeiros).

Pois bem, explicada a imagem acima, vamos ao que interessa.

(Atenção, post gigante!)

O desenho e consequentemente os quadrinhos.

Qualquer um que esteja lendo este post, sabe que o desenho é uma atividade prazerosa. Até demais. Como citado no blog do Hiro no famoso post “Porque não desenhar de graça”, já citado aqui anteriormente: Nenhum ilustrador ou desenhista e afins ficam realizando seus trabalhos esperando os ponteiros do relógio chegarem no fim do expediente. Isso simplesmente não existe. Desenhista não tem horário.

Até aí tudo bem. Mas e quando a pessoa quer realizar um projeto pessoal? Ou seja, fazer uma HQ? Aí a coisa complica, porque a dedicação tem que ser multiplicada.

Enquanto em um simples desenho, você (em vários casos, mas não em todos, hein?) precisa apenas se preocupar com a estética da imagem, ou seja, se ela está bem feita e enquadrada de acordo com os fundamentos da linguagem visual (opa, falei bonito!), nos quadrinhos, seja o estilo que for, você precisa ficar preocupado com diversos fatores. Dentre eles, um que realmente está faltando na maioria (na grande maioria!) dos autores é justamente o ROTEIRO. E não apenas isso, falta também o “portugueis bein disido” (Matou o Joaquim agora), o enquadramento, o TRAÇO (sim, porque tem gente que não tem o BOM SENSO de ver suas falhas!), o vestuário dos personagens e a ambientação.

Olha gente, primeiramente, gostaria de dizer que eu NÃO SOU NENHUM JIM DAS SELVAS nessa mata “quadrinhística”, mas é fato que já passei por esse processo de sair fazendo coisas a torto e a direito como muitos e é claro, tomei na cara, felizmente de mim mesmo. Resumindo, eu olhei e vi o que estava fazendo ao mesmo tempo em que dizia: Mas que P….. é essa?!

Então gostaria de compartilhar com vocês algumas, ahn, dicas de como melhorar isso e fazer uma análise crítica também nesse assunto. Lembrando novamente que eu não sou nenhum “top de linha” e o que eu digo aqui neste post é baseado no que li e ouvi de gente mais experiente na internet. Aproveitem vocês também o poder da comunicação em massa do século XXI!

Uma coisa que eu vejo muito, é aquele moleque (ou moleca) super empolgado porque leu aquele quadrinho favorito ou assistiu aquele filme bacana ou até mesmo assistiu a aquele desenho legal, para ele. Seu pensamento é: “Ah, que legal, eu também sou desenhista! Vou fazer uma história muito foda!”. Até aí, tudo bem. Afinal essas três mídias são grandes fontes de inspiração. Acrescento é claro, o poder dos livros – bem mais profundos.

O problema é quando esse moleque pensa que vai fazer uma história foda e vai brincar de ser quadrinhista. Isso mesmo, brincar. “Pô! Vai ser da hora! Vai ter explosões e muita ação. A história…deixa eu ver, é de um samurai shinigami ressuscitado para se vingar de um vilão com uma super armadura tecnológica que mora no alto de uma torre cercada por guerreiros montados em insetos gigantes! – AHN?!?!?! – Acreditem, existe uma figura dessa. Eu vi e ouvi com meus próprios olhos e ouvidos este ser soltando esse disparate para um outro amigo que se segurou para não rir. Bom, se bem que esse é o mesmo cara que veio perguntando sobre o porquê dos mangás japoneses serem desenhados em preto e branco, ao que ele mesmo respondeu na hora que seria por causa talvez do fato do Japão ter muito petróleo! – AHN?!?!?! [2].

Brincadeiras a parte, isso ocorre com a maioria do autor nacional. Se o cara gosta do mangá, ele já quer pensar em algo com Anjos e Demônios, Samurais, Mechas, Romances Colegiais e em alguns casos, Sentais. Se o cara gosta de comics estadunidense, ele já quase sempre (eu disse quase sempre, não são todos), pensa em um cara carrancudo, com os beiços abertos rangendo os dentes e com a cueca por cima das calças, coladas. Já os cartuns, bom, desses não o que reclamar, afinal são atemporais e tem como objetivo em sua maioria, o humor.

Bom, há algo errado aí, não? Vamos por partes. Tudo bem que se a pessoas quiser falar de algum dos temas acima, nada a impede. O problema não são os temas em si, porque na verdade tudo o que já deveria ser dito já foi feito (sic), o que acontece é uma reciclagem adaptada aos nossos padrões atuais. O que não dá é ficar repetindo o que já foi feito. O que estou querendo dizer é que você pode usar qualquer tema, mas por favor não saia atirando a torto de direito como um cego com uma metralhadora em meio a um tiroteio. No caso dos comics, por favor, né? A era das cuecas por cima das calças já se foi. E chega dessa retratação do patriotismo exagerado. Ninguém mais tem saco para essas coisas. Qualquer um sabe que os super-heróis foram criados em um contexto de guerra. Plena 2ª Guerra Mundial, as pessoas precisavam acreditar em algo que fosse sobre humano para salvá-las. Por isso quase todos eles eram uma máquina de poderes sem alma. A grande sacada veio com o Homem Aranha, quando o  Stan Lee deu poderes a um moleque nerd, com diversos problemas de vida. O problema é que aqui no Brasil, muitos autores ainda estão na fase da supremacia da pátria.

Muito bem. Então como fazer algo que tenha mais vida e consistência? Simples, VÁ PESQUISAR SEU MANÉ! E quando falo pesquisar, não estou falando de tese ou algo a mais, mas sim sobre o tema escolhido e o que está envolvido nele. Quer um exemplo? Simples. Digamos que você queira fazer uma História envolvendo um mistério em um colégio na cidade de… sei lá… Londres, na Inglaterra. O que você vai fazer? Vai desenhar Hogwarts por acaso? Muitos simplesmente fazem um colégio qualquer, desenham pessoas que podem ser tudo, exceto ingleses, e fazem uma cidade mais parecida com a do autor do que Londres propriamente dita. Isso para não falar do roteiro, que de mistério não tem nada. Novamente eu pergunto, o que você vai fazer? Um cara esperto, simplesmente fará isso: Primeiro, ele irá pesquisar sobre o tema. “Mistério”. Mas mistério de que? É a primeira coisa que ele vai definir, para isso então ele precisará sair atrás de mídias que falam sobre o assunto. E principalmente, ler. Ler, ler e ler! Dominado, mesmo que não seja totalmente, o assunto, ele irá esboçar a trama principal. É simples, é a mesma premissa da redação: Começo (Introdução), Meio (Desenvolvimento) e Fim (Conclusão). Claro que neste processo você não precisa ser todo certinho. Por exemplo, na conclusão, você pode deixar uma pergunta no ar, mas de forma que respeita a inteligência do leitor e o faça ter suas próprias conclusões. Você pode ter um início a parte da conclusão, e… bom, você já entendeu. É possível fazer múltiplas combinações e quebra-cabeças. Esboçado algo da trama e tendo em mente como será o início, o desenvolvimento e o fim, você pode criar os personagens.

Aqui eu abro outro parágrafo para falar da criação de personagens, tão importantes quanto a trama em si. Um não funciona sem o outro. Pegando o nosso exemplo de Londres, o que o autor vai fazer? Ele vai fazer qualquer personagem e pronto? Até onde eu sei, não. Ele tem que saber como é o londrino, qual a etnia predominante por lá, como eles se vestem, etc, dando atenção, obviamente, aos personagens centrais da trama! O mesmo vale para a ambiência. Com certeza Londres é diferente de São Paulo, Fortaleza, Nova Iorque, Mumbai, etc. É verdade que as cidades contemporâneas possuem diversos elementos em comum, até demais para falar a verdade, mas são as peculiaridades de cada objeto que torna cada cidade diferente. Com certeza um poste de iluminação de São Paulo não é igual ao de Londres, bem como as placas e os carros que circulam nas ruas. Entendeu agora o poder da ambiência? A característica do local? E tem mais coisinhas que você deve pensar também: Ruas, edificações, vegetação… etc.

Pronto, agora você tem idéia da trama, dos personagens e da ambiência. Agora é que vem a parte MAIS IMPORTANTE e uma das mais negligenciadas. O R-O-T-E-I-R-O. Vamos pegar a palavra História em Quadrinhos. EU DISSE HISTÓRIA, PÔ! E não ilustrações em quadrinhos, ou balões mal posicionados em quadrinhos, ou putaria generalizada em quadrinhos. HISTÓRIA! Ou seja, você vai contar algo, uma história inserida em espaços retangulares em sua maioria com balões representando comunicação e onomatopéias obviamente representando sons (quando existe). Logo, você deve ter em mente que, você deve ser capaz de fazer uma narrativa. E pior, uma narrativa a qual um terceiro deva ler e se identificar, mesmo que seja com um sentimento desagradável em relação a alguma situação ou personagem. E mais importante, no caso dos quadrinhos, é a narrativa que você deseja seguir. No comics estadunidense, ela é rápida, no mangá é mais profunda e lenta, exceto nas cenas de ação (apesar que os personagens conseguem falar um parágrafo inteiro enquanto estão no ar), no europeu ela é variada e no cartum super rápido. Você pode também, é claro, misturar as formas de narrativa.

Novamente abro outro parágrafo, para ver o quanto existe essa deficiência. Não, eu repito que não sou nenhum “Oh, que grande escritor!” Mas estou no mesmo barco que vocês, tentando fazer algo legal, NÃO PARA MIM, mas sim, para o leitor, apesar que muito de mim está contido em minhas histórias, ainda em andamento. Isso é inevitável de certa forma. Mas o que acontece aqui no Brasil é que o autor quer contar a história para ele mesmo e quando no máximo, para os amiguinhos felizes fãs das mesmas coisas que ele. Não é assim pô! Você não pode e nem deve fazer a história para você mesmo. Seu alvo final é o leitor. Não adianta tentar socar o que você fez garganta abaixo dele, porque ele não vai digerir esse lixo. Por mais absurda que possa parecer a história, se você souber cativar o leitor, então acredite, você teve sucesso absoluto!

Portanto, pense no roteiro. Pense no desenho também. Por melhor que seja sua história, se o leitor ver aqueles garranchos mal feitos e aquela coisa confusa, ele vai é ser desencorajado a ler aquilo. Eu já li algumas HQs que eu juro, juro que tentei compreender quem é que estava falando o que, mas sem sucesso. Isso para não falar nos personagens praticamente iguais. O tópico “Quer aprender a desenhar, vá atrás” está aí, dê uma lida e tenha o bom senso. Bom senso de saber que aquilo está ruim e bom senso do ridículo. Sim, do ridículo, porque já cansei de vir carinha por aí na internet com ares de superioridade, afirmando que o é o desenhista “fodaum” (com “UM” mesmo) e que é profissional. E isso acontece BASTANTE em certas comunidades do orkut e fotologs hein? Pior é quando vem mais outros sem noção e ficam um elogiando ao outro nesta masturbação coletiva. Pura baboseira! Para um desenhista, ainda mais o de quadrinhos, só desenhar personagem não é o bastante, apesar que muitos só pensam assim: “Oh, nossa que personagem (e olha que é cópia) legal! Tu é profissional cara! Já pensou em ir para o Japão?” – Acho que eu vejo isso todo o dia por aí na internet. O bom desenhista é aquele que sabe reconhecer suas falhas, indo treiná-las para suprir as deficiências, além de que, ele é versátil, sabe fazer uma boa ambiência, roupas, tem suas referências, tem bom senso, humildade e está sempre querendo evoluir. Pelo para mim, um bom desenhista é isso. E é claro, não é boçal. Porque, puta que pariu! (me perdoem o palavrão, mas é que nessas horas eu não me contenho). Como é que tem tanto boçal nesse ramo? Pior! Pelo que eu pude comprovar (posso estar errado, viu?) a grande maioria são os BRASILEIROS! Isso mesmo! Comparando em diversos ramos (quadrinhos, concept, ilustração em geral, etc) os desenhistas brasileiros que estão mais acima são os mais boçais. Ô, baixa a bola aí seu(sua) idiota! Não é só porque você tem mais facilidade com certas técnicas que precisa ficar com esse nariz empinado. Cuidado para não cair para trás, hein? – E não, essa não foi uma indireta a alguém, foi apenas um comentário baseado na observação.

Outra coisa que deve ser pensada é o português. É, o português. Sinceramente, estou começando a achar que o Ensino Particular já decaiu faz tempo. Do Ensino Público, todos nós já conhecemos os defeitos. É sério, estou começando a achar que passar no vestibular ou em concursos que tenham redação, é a coisa mais fácil do mundo. Existe até uma crônica antiga do Carlos Eduardo Novaes que fala disso: “A regreção da redassão”. Nessas horas também me pergunto: Como é que um sujeito desse quer fazer uma história em quadrinhos se nem o português ele sabe? E não estou falando de gramática, afinal, nossa gramática é difícil mesmo e até mesmo os escritores tem lá suas equipes de revisores gramaticais. Estou falando é da ortografia mesmo. Em muitos casos (a maioria mesmo!) chega a ser tão ridículo que o leitor fica mais preocupado em apontar os erros de escrita do que ler a história em si. Tudo bem que as vezes eu cometo alguns erros aqui no blog, mas são erros de digitação mesmo, pela pressa de escrever e porque geralmente eu posto de noite. O que não pode é, em uma História em Quadrinhos, a qual depois de pronta, o autor deve REVISAR para encontrar possíveis erros (de desenho, de escrita, etc) ter tantas falhas ortográficas. Tudo bem também que um ou outro erro pode passar (apesar que não deveria), mas quando vários passam, o autor passa a ser motivo de charcota. Pessoal, eu falo isso e olha que, eu detesto a língua portuguesa brasileira, porque a acho desprovida de força (já notaram que somos um dos poucos países, se não o único, que fala a própria língua de forma lenta? Ingleses e Estadunidenses falam o inglês rápido, Franceses falam o francês rápido, chineses, japoneses, italianos e por aí vai, até mesmo os Portugueses falam o português de lá de forma rápida). Os amantes do Português do Brasil que me perdoem, mas é minha opinião. Porém, nem por isso eu vou deixar de procurar escrever certo. Não é porque eu não gosto que eu vou ser desleixado.

Apenas para citar, os erros mais comuns que eu vejo na ortografia nos quadrinhos são: Consegui (isso quando o personagem queria dizer: Consegue); O uso do AM e ÃO (que me faz querer arrancar os cabelos quando vejo) – Por exemplo, “eles conseguirão” (Quando o personagem queria dizer, “eles conseguiram” e por aí vai); Quiz (Quis, QUIZ é uma palavra do inglês!), Testi (Teste), Voçê (Você), Concerto (Quando queria-se dizer conserto, de consertar, com “c” significa outra coisa), Precizar (Precisar), Atraz (Atrás), e por aí vai. Existem mais erros, ainda piores.

Algo a mais que não sou nem contra e nem a favor (isso existe? :D) é a criação de grupos, clubes e afins. Em alguns casos dá certo, em outros é apenas motivo de estresse. Sabe por que? Simples, porque um grupo só funciona quando TODOS os membros estão funcionando como engrenagens bem encaixadas. Se um desanda, o resto todo também cai. Sinceramente, detesto ter que depender de outros. Já tive experiência com isso e detestei (Graco, você vai gostar dessa). Já fiz parte de um grupo de quadrinhos chamado Whiteout, do qual o Graco que tanto comenta aqui, também foi membro e com certeza ele poderá confirmar minhas palavras. Éramos quatro integrantes e queríamos levar o projeto a frente. Tratava-se de uma revista, amadora obviamente, na qual os quatro tinham as suas histórias nela. Como “editor” do grupo, eu determinava os prazos (que eram grandes) para que cada um fizesse a sua HQ para que eu pudesse editar e a diagramação final da revista. Na verdade, os únicos que levavam o negócio a sério eram eu e o meu considerado Graco. A desculpa que os outros membros tinham era: “Ah, mas temos as obrigações de faculdade e sei lá mais o que para fazer, não tenho tempo para desenhar”. Isso é CONVERSA! O desenhista sempre encontra tempo, ou então cria um, quando tem interesse. O que quero dizer é que, em um prazo de 4 meses, é fácil fazer uma HQ de 15 páginas por mais ocupada que a pessoa seja. Resumindo, por diversos fatores, o grupo acabou na 3ª edição da revista. Por essas e outras que sigo sozinho mesmo. É mais prático.

Claro que as vantagens de um grupo são enormes. Ainda mais se eles trabalham em conjunto em uma história única. Um desenha, o outro faz o roteiro, o outro ajuda na criação dos personagens, um quarto ajuda na pesquisa junto com o 2º, e por aí vai. Mas como disse, só dá certo quando eles estão em sintonia e querem dar o sangue, suor e espírito naquilo que gostam de fazer. Digo isso, porque no Brasil, todos sabem a situação que é o quadrinho daqui. Além da pouca produção, a qualidade também é péssima em 90% dos casos. Não que isso não exista nos outros países. Claro que tem, e tem BEM MAIS PORCARIA do que aqui. A diferença é que lá, nos EUA por exemplo ou no Japão, eles tem milhares e milhares de produtos dos quais 20% são bons e os 80% lixo puro. Esses 20% dão uma impressão de ser um todo, mas não é, apesar de ser grande parte. Um conselho que dou é: pesquise sobre a situação do quadrinho nacional, e veja se é o que você quer mesmo. Se você acha que não dá, então desista que ainda é tempo. Mas se você quer, então PARE de brincar e se dedique a isso! Claro que você pode ter atividades paralelas, mas tenha a criação (desenho e roteiro e afins) em primeiro plano. Dá para mudar a situação sim, mas se fizermos algo de qualidade.

É algo que eu estou procurando fazer. Se vai dar certo ou não, eu não sei. Tenho meus projetos pessoais e tenho meu plano B que é trabalhar na área da ilustração no concept. Afinal, precisamos ser no início, empregados em algo. Ninguém faz sucesso da noite para o dia e até que esse dia chegue pode até demorar um pouco. Enquanto isso, vou tocando os meus projetos.

Por exemplo, Inocência. O que eu fiz e estou fazendo:

– Vocês já estão carecas de saber do contexto geral da história. Trata-se de um drama pessoal e horror psicológico envolvendo a personagem Mina Lilien. Pronto, tenho o tema e tenho já a personagem principal. A história é centrada nela e em suas alucinações por causa de sua esquizofrenia, seus transtornos mentais e em sua dupla personalidade criada por causa de um fortíssimo trauma mental. Ok. Do que eu fui atrás então? Primeiro, tenho a doença mental da personagem, então toca a pesquisar sobre esquizofrenia. Para isso, fui atrás de artigos na internet, de vídeos (sim, eles existem) de pessoas esquizofrênicas tendo ataques, conversei com dois amigos que estão concluindo o curso de psicologia, obtive o CID-10 que apesar de não ser lá grande coisa e bem desorganizado, serviu para me guiar em minhas pesquisas, procurei quais os remédios que essas pessoas tomam, o okut nesse ponto também é de ajuda, já que existem comunidades de pessoas que tem esquizofrênicos na família, e por aí vai. Somando a isso, fui atrás de vídeos e livros de terror/horror (já que os dois andam juntos em muitos casos), além de ler bastante sobre outras coisas, quando dá. Eu não divulguei e jamais será divulgado o nome da cidade onde a trama se passa, por causa do caráter universal que quero que a história tenha. Mas nem por isso vou fazendo as coisas de qualquer jeito e de qualquer forma. Minha base para a cidade é a própria cidade onde eu moro (Fortaleza), apesar de detestá-la e outras cidades do Brasil, logo, vocês verão (veram, como escrevem os semi-analfabetos das HQs) pessoas de diversas etnias, trabalhadores pedalando de bicleta em meio aos carros, flanelinhas, etc. Como disse antes, as cidades contemporâneas são bastante parecidas, mudando apenas algumas peculiaridades. Quanto aos personagens, como vocês com certeza já viram (virão? ha ha, tá bom, parei) eu estou dando um tratamento especial a cada um deles que irá ter uma conexão com a personagem principal (daí que vem as resenhas de cada um). Mais importante, é a característica da própria personagem principal. Levei (e ainda estou no caminho) 10 anos para poder chegar aonde queria chegar, mesmo que inconscientemente. Finalmente, no tópico “Mina Lilien”, um dos primeiros deste blog, eu falo sobre a personagem, sua história e o quanto eu tenho de minha alma inserida nela, mas que a personagem não é PARA MIM, mas sim, para o leitor! Quanto ao roteiro, este está sendo escrito sim! E um bom treino que decidi fazer foi justamente o conto “Noite no Quarto”, já apresentado aqui também, que é uma história curta (ainda em produção para os que ainda não sabem) apresentando os dilemas mentais da personagem e para que eu possa trabalhar esse seu lado. Digamos que seja uma HQ piloto.

Resumindo, tenho o local (cidade, vegetação, pessoas, veículos, construções, etc), tenho a trama já definida com começo, desenvolvimento e conclusão, tenho a personagem principal e suas características bem como os personagens secundários. Tenho o roteiro da HQ piloto (que foi perdido quando formatei o PC, snif, snif, mas que eu sei decorado e que estou reescrevendo, além de que já estava no processo do desenho). Falta o principal, o roteiro que será fácil de escrever, pois já tenho toda a estrutura. Uma coisa bacana de se fazer é uma espécie de organograma com os personagens, indicando a relação que cada um tem com o outro. Vocês não sabem o quanto isso ajuda (só não escaneio o de Inocência porque tem muita coisa revelada nele).

Por fim, gente, vamos parar e refletir um pouco sobre o que realmente queremos e sobre o poder do quadrinho. Fale sobre o tema que você quiser, mas saiba falar dele. Lembre-se que um autor de quadrinhos é um ser multi-funcional, ele é diretor de cinema, estilista, arquiteto e urbanista, retratista, fotógrafo, etc. Não é só fazer o samurai shinigami cortador de robôs gigantes, mas sim, algo bem maior por detrás. Digo e repito, quadrinhos é coisa séria. Ainda mais se você quer ser levado a sério aqui, no Brasil.

Se ofendi alguém, me desculpe, mas esse espaço aqui é meu para dizer o que penso. Se você concorda, ótimo! Se não, tudo bem, mas gostaria de saber o seu ponto de vista. A conversa é que é o importante.

Bom e finalmente, concluindo de vez, post ultra-gigante para compensar os dias que passei sem postar por aqui e a demora para por um texto grande falando sobre esse assunto tão polêmico por aqui.

Abra os olhos e tenha bom senso! Escreva!

18 Respostas to “Quer fazer Quadrinhos? Então faça a História! Mas faça direito!”

  1. Acho que tá na hora do mestre pensar em fazer um Podcast… TLDR!😄

  2. Necas. Posso até gostar de escrever… mas falar… minha voz não tem força. Acredito que ninguém ia gostar de me ouvir em podcast, além de que, minha voz gravada ou ampliada, fica uma porcaria!

  3. Graco Says:

    Rapaz tipo um cara de toda forma se tu fosse fazer um podcast que prestasse no final das contas seria preciso que você escrevesse o roteiro do que iria falar (engana-se muito quem pensar que alguém fala algo legal de improviso) tipo da coisa seria o caso de uma decisão sua de: estimular ou não a preguiça de ler ultimamente.
    parabéns pelo tópico excelente

  4. Isso eu sei. Todo santo podcast possui um texto.

    Mas bom, você que me conhece sabe que não tenho poder nenhum na voz. Bem que eu gostaria de ter, mas já me convenci de que não tenho. Futuramente, quando eu estiver realmente com moral para poder falar algo, eu prometo que crio um. Mas por enquanto, prefiro me ater à palavra escrita mesmo😀.

    Valeu

  5. Jonatan Says:

    Interessante! rs

    Não sou desenhista (mesmo porque não sei “desenhar” (se homem palito serve como desenho, então eu sei desenha-lo muito bem! rs) Mas tenho admiração por quem o faz, simplesmente obras fantásticas!) Mas sobre o roteiro eu concordo plenamente, vou citar o meu caso. Eu tenho um grande fascínio pela Era Vitoriana, Londrina ou Britânica, mas muitos que “tentam” escrever sobre ela pecam em diversos assuntos, desde trajes (era vitoriana exibe um “pouco” de conhecimento sobre os trajes) costumes (o que é INTEIRAMENTE necessário para se escrever sobre), e o local… tudo bem que querer colocar trajes “típicos” é uma questão “fácil” se for pegar o lado do século XIX no Brasil, mas mesmo assim não podemos escrever sobre as personagens usando “trajes” Brasileiros (claro com suas influências em outros paises (França por exemplo)), com costumes Britânicos e ainda por cima em um ambiente Brasileiro,isso tudo viraria uma pura “maçaroca” de informações não coletadas, desde história do século XIX, até partes geográficas.
    Escrever um roteiro de época não é tão simples, muito menos pouco trabalhoso, temos que ter a ampla informação histórica do país, dos locais, dos costumes, do modo de vida daquela população e qual seria a “religião” predominante naquela época (isso se pode incluir nos costumes).
    É a mesma coisa sobre mangás, por exemplo, muitos (se não todos) os autores fazem uma pesquisa enorme sobre o que estão desenhando e escrevendo. Shaman king é uma delas, o autor pegou fontes xamânicas de vários lugares do mundo, pegou fontes Xintoístas (Shintoistas) e do Onmyodô para fazer a bela história.
    Outro caso que posso citar é sobre Victorian Romance Emma da Kaoru Mori (uma das autoras que mais tenho respeito), ela falou sobre a “era” vitoriana e o costume de uma família tão belamente que da para ver que teve uma pesquisa por de traz de tudo.
    Eu não sou um Roteirista de primeira classe, tanto não sou que parei de fazer meus escritos por achar que faltava “algo”, que faltava informações e de pesquisas mais avançadas, então tive por preferência fazer algo “bom” do que algo “porco” e assim parei para me dedicar a leitura, tanto de fontes históricas como de outros termos como o SteamPunk e autores alheios achados pela internet.

    Melhor eu parar por aqui, que estou quase escrevendo um outro texto sobre roteiros! Rs

    A sim, desculpe se houver algum erro no português, escrevi tão rápido que eu posso ter esbarrado em algumas letras =D

    Até mais.

  6. Bom, boneco de palitinho é um dos passos para se fazer a anatomia corporal😀.

    Meu caro Jonatan, você pode até não desenhar, mas compreendeu MUITO BEM o porquê deste post. Sinceramente, estou admirado com a sua resposta aqui. É justamente isso o que você digitou.

    Essa pesquisa é muito importante, como você colocou e como eu pus no post. Ela dá credibilidade a história e o leitor saberá que você está levando o trabalho a sério. Isso porque eu digo e repito: Quadrinhos é coisa séria! Claro que é também uma diversão. Afinal, quando você escolhe fazer uma história sobre determinado tema, você vai pesquisá-lo PORQUE QUER. E não forçado como por exemplo em colégios, quando você é obrigado a estudar certas matérias que nem de longe lhe agradam.

    Gostei tanto da sua resposta que gostaria de citá-la em um post. Posso?

    Aguardo resposta
    E obrigado pela sua contribuição!
    Abraços

  7. Jonatan Says:

    Woa! Rs

    Estou feliz que tenha gostado da minha resposta (achei teu site por acaso procurando sobre mangás e fontes Brasileiras referente ao assunto e gostei muito.).
    Será uma grande satisfação se você citar o que escrevi aqui, e tem a total aprovação para isso! Rs

    A sim, qualquer coisa meu e-mail para contato é: jonny.faelan@hotmail.com (nem sempre eu entro em sites *vivo praticamente no e-mail e lendo, assistindo animes, escrevendo algo ou no msn*)

    Abraços.

    Faélán Jön

  8. Meu caro Jonatan.

    Muito agradecido eu fico com a sua aprovação. Colocarei a citação de seu resposta em breve, como um reforço deste post.

    Teu email já está anotado.

    Abração

  9. Jonatan Says:

    Ok então rs

    Qualquer coisa me Add no msn para conversarmos.

    Até😀

    Fáelán Jön

  10. eu ñ goste muito desse site

  11. leeticia (: Says:

    ficoo mt massa ameei (:

  12. para fazer uma historia tem de pensar muito para sua historia sair perfeita

  13. fiz uma historia sobre um doende e hoje estou fazendo outra historia no meu caderno sobre uma princesa mimada

  14. nossa que grande não vou fazer .

  15. não goste eu adorei seus venha me add no face paulo.abronck@hotmail.com

  16. Rhobson Says:

    Suas observações são interessantes, mas sugiro alterar as cores de suas páginas. Letra branca sobre fundo preto é cruel para quem já passou dos quarenta (na verdade, cansa qualquer um…)

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