Lâminas do Inverno – Ataque na Vila 5

torreFinalmente, a última parte do Primeiro Capítulo de Lâminas do Inverno. Perdoem-me os erros básicos de português que possam aparecer, as vezes no calor da digitação, uma ou outra palavra falham.

Ainda há uma longa estrada pela frente…

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– Senhor, esta senhorita aqui desejava lhe falar. Como ela insisti muito, eu a trouxe para cá. – Falou sorrindo e com ironia o comandando.

– Muito bem Sergil – respondeu Laighas com o olhar fixo em Forwën – fez muito bem. Pode ir agora.

– Sim, senhor.

Dito isto o homem afastou-se e foi contar o ocorrido aos outros companheiros na praça. Alguns deles notaram Forwën e haviam parado seus afazeres para observar curiosos o que iria acontecer com seu chefe. Todos eles observavam com o costumeiro sorriso malicioso que homens desta estirpe costumam fazer.

Forwën mirava o homem de alto a baixo ao mesmo tempo em que prestava atenção no local, estudando-o para ver se conseguiria obter alguma vantagem do terreno.

Nada de mais. A praça, se é que pode ser chamada assim, não passa de um local aberto, em forma ovalar cujo piso é de terra batida. Geralmente as pessoas se reuniam ali para conversar ou secar a carne obtida na caça. Por ali também passavam pessoas carregando produtos cultivados e mercadores pobres que vendiam suas mercadorias às pessoas que vinham de outras vilas. Certas frutas só podiam ser cultivadas ali, mesmo sendo a região montanhosa. Ao sul do local fica situada a Casa Grande, já descrita acima. Na direita, a capela também descrita. Ao norte em direção às montanhas, há um muro inacabado, que serve como apoio àquelas pessoas que arrumavam suas vendas com caixotes. Era de lá que os homens de Laighas pararam de roubar a comida dos caixotes para observar o que aconteceria. Por fim, ao leste, ou seja, na esquerda situam-se apenas algumas casas simples e tortuosamente entre elas, a rua principal. Nada de mais. Por causa da umidade, algumas partes do piso estavam moles. Em dias de chuva então, era sempre um desastre de lama úmida e pegajosa.

“- Nada que possa me servir” – pensou Forwën.

Laighas voltou-se para Forwën com o mesmo sorriso cínico de seus comandados e falou com uma mesura irônica:

– Bem, bem minha senhorita…

– Forwën – respondeu a moça.

– Bem minha senhorita Forwën – tornou Laighas – a que devo a sua agradável presença? Certamente pelo modo que se veste e pelas suas feições vejo que não é habitante destas paragens.

– Decerto que não, senhor Laighas – respondeu friamente Forwën, com os olhos fixos em Laighas o que o desconcertou um pouco – não pertenço realmente a esta região. Sou apenas uma viajante que quis encontrar um pouco de paz nesta aldeia. Paz que vocês estão atrapalhando.

– Oh! Mil perdões senhorita! – ironizou o bandoleiro – Não queríamos de modo algum perturbar o seu descanso. Por favor, queira perdoar a estes rudes homens que apenas tentam fazer o seu trabalho…

– Trabalho? – interrompeu Forwën – Trabalho? Roubar e ameaçar pessoas mais fracas que vocês? Usufruir de forma fácil aquilo que outros trabalharam arduamente para obter? Largue de hipocrisia!

Laighas apenas aumentou o seu sorriso e Forwën observou melhor o homem que a respondia com frases cínicas e impertinentes. Era um homem alto e loiro. Seus longos cabelos terminavam em seus ombros em ondulações. A adornar sua morena face, uma malfeita e curta barba. Seus olhos denotavam uma agressividade um tanto comum em homens desta espécie. Trajava uma armadura de couro com um camisão de bom linho por baixo. Notava-se um certo desgaste na roupa, certamente pelas batalhas que aquele homem já travara. Finalmente, usava longas bota de montar, um tanto gastas também. À primeira vista se via que era um homem forte. A espada longa pendia-lhe na cintura. Forwën pensou:

“- Maldição, este homem é diferente de muitos. Vai ser difícil subjuga-lo. Imagino então como deverá ser o tal do Nynther. Falando nisso, onde está ele? Não está na cidade?

Laighas riu alto:

– Hipocrisia? Escute mocinha, somos homens que só sabem lutar. Estes aldeões ridículos têm mais é que calar a boca e nos entregar quietinhos os seus pertences para não se machucarem!

Forwën fez cara de desprezo e sacou sua espada.

– Não passam de parias, isso sim! Já basta desta conversa ridícula. Homens como você me enojam. Se acham superiores mas não passam de meros vermes da sociedade.

O sorriso desapareceu do rosto de Laighas.

– Escute aqui sua tola. Eu quis manter uma conversa amigável com você, mas vejo que é impossível. Não adianta, eu vou trazê-la a força! – também sacou de sua espada.

Forwën notara a ênfase em que ele pronunciou a palavra “trazê-la” e ficou confusa com o que ouviu.

– Trazer-me? Que história é essa?

Laighas tornou a sorrir e passou a mão esquerda pelo queixo, cofiando a barba.

– Conosco é claro! Você é perfeita para ser minha escrava pessoal, para me servir e… para algo a mais.

– Eu não iria com vocês nem morta. – Forwën fez cara de nojo.

– Ah, mas vai sim, e viva! – Rebateu Laighas.

Forwën nada disse. Sua mente estava apenas concentrada no homem. Sabia que o mero descuido seria fatal. Aquele homem era diferente dos comandados. Esses últimos, ao verem as posições dos dois que obviamente denotavam uma situação de combate, correram a ver de mais perto e ajudar o chefe caso necessário. Todos correram para perto, exceto um que foi para o outro lado. Era um jovem de cabelos e olhos negros.

Laighas fez um gesto para manter os homens a certa distância. Ele também estava concentrado em Forwën. Certamente ela não era uma mulher comum. Devia aproveitar qualquer brecha para rendê-la. E esse era outro problema: ela queria matá-lo, ele, apenas desarmá-la.

Não adiantava, tinha que tomar a iniciativa. Avançou com a espada formando um arco horizontal ao que encontrou resistência. Forwën defendera o golpe violento, mas conseguiu manter-se firme em sua posição. Ela aproveitou o momento para deslizar a espada em direção ao bandoleiro. Porém aí ela encontrou apenas o vazio. Ele havia se esquivado dando um salto para trás. Aproveitando o desequilíbrio de Forwën neste golpe, Laighas imediatamente postou-se para frente, atacando com o ombro e empurrando-a para trás.

Os homens vibravam:

– Isso aí chefe!

– Ensina a ela uma lição!

– Dá nela!

Eles, que estavam a assistir a luta, torciam para o seu chefe com incentivos ou comentários jocosos.

– Você é valente. Sabia que eu gosto de mulheres violentas? – Ironizou Laighas.

– Cale a boca – respondeu Forwën avançando com um movimento direto, mas em postura baixa.

– Mas o que diab…? – Laighas começou a falar.

Esquivando para o lado esquerdo de Laighas, Forwën em um impulso saiu de sua postura baixa e alcançou o flanco dele. Ela aproveitou o momento e desferiu um golpe baixo para cima visando o rosto de Laigha.

Por uma fração de segundo, Laighas em um extremo esforço conseguiu torcer o pescoço para o lado, esquivando a face, mas não evitando um corte que lhe atingiu a testa.

Ele cambaleou um pouco para trás, tonto, mas conseguiu ficar de pé. Laighas sentiu o calor acima dos olhos. Passou a mão no rosto e viu o seu já tão conhecido líquido vermelho. Sangue. Por sorte, o corte foi bem superficial. Porém a visão de seu próprio sangue o enfurecera profundamente.

– O que você pensa que fez sua… – Eu ia poupar sua vida, mas agora vou arrancar o seu couro para você aprender o seu verdadeiro lugar! – Gritou Laighas.

– Cale a boca – repetiu Forwën – você deveria ter ficado quieto para ser finalizado.

– Vá para o inferno!

Dito isto, Laighas mudou sua postura e avançou para Forwën. Imediatamente ela postou-se para o lado afim de aproveitar a brecha que fatalmente ele abriria por causa de sua investida. Para sua surpresa, Laighas parou seu movimento antes do esperado e atacou em um ângulo baixo a altura dos joelhos dela o que a fez defender essa região já visando o contra-ataque com mais velocidade. Ele, entretanto, foi mais rápido e mirou o braço direito dela fazendo-a recuar por sua vez.

Forwën nem bem havia se estabelecido do golpe quando sentiu a sombra de Laighas já próxima a si, bem a tempo de receber seu chute em sua coxa, parte desprotegida da sua armadura, fazendo-a se ajoelhar.

Laighas cuspiu para o lado.

– Isso, isso mesmo. Agora as coisas estão certas. Você aí ajoelhada e eu de pé. Conheça o seu lugar mulher.

Os homens que haviam emudecido e paralisado ante a visão de seu chefe, agora respiravam aliviados. O sub-comandante era mais forte. Aquela mulher agora iria receber o que merecia!

Para Forwën, a situação não era nada boa. O chute lhe deixara com a coxa vibrando de dor. Além disso, a espada lhe parecia ainda mais pesada. Olhou para o braço e viu o sangue. O primeiro ataque de Laighas lhe atingira realmente, a despeito de sua esquiva.

“- Maldição” – pensou – “só me resta um ataque certeiro para acabar com este canalha.”

Laighas erguera o pé para chutar Forwën e deixá-la ao chão de vez. Era agora ou nunca. Ela agarrou a oportunidade e, segurando a espada firmemente com as duas mãos, aplicou um golpe de modo a rasgar a armadura dele. O chute ainda assim lhe atingira fazendo-a rolar no chão.

Forwën se recompôs com dificuldade e viu Laighas também no chão, porém vivo. Fato comprovado ainda mais por ele ter se levantado. Ela viu com angústia que o corte não atingir a carne, apenas a indumentária. Ele caíra pelo desequilíbrio a que fora submetido.

– Uma pena, não? – Riu Laighas. – Acho que você desperdiçou uma boa chance. Agora só me resta acabar com você minha mocinha valente.

– Não pense que ainda me rendi idiota.

– Muito bem, muito bem – ele aplaudiu – será que você também é boa assim na cama?

– Desgraçado!

Forwën se levantou e avançou furiosamente para Laighas. A situação agora se invertera completamente. Ele esperou com a espada em guarda para receber o ataque. No momento em que as lâminas se encontraram, uma voz fez-se ouvir acima das demais:

– Já chega!

O círculo de homens abriu para dar passagem ao homem que falara. Nynther avançou com Chander atrás.

Os dois combatentes pararam seus movimentos tal era a força da voz de Nynther. Uma voz forte e fria, um tanto desprovida de emoções.

Forwën mirou o tão famoso comandante do bando. Ela pensava que iria encontrar um outro humano, tal qual aqueles bandoleiros, maltrapilho, ou pelo menos como Laighas, mas, Nynther à primeira vista, era diferente. Havia nele uma altivez que diferia dos outros. Mesmo sua face, preenchida pela barba rala, era de um aspecto bem melhor que o dos demais. Jamais ela poderia imaginar que seria um meio-elfi a comandar aquele bando. Estreitando o olhar, ela procurou alguma coisa que identificasse melhor aquele homem, mas nada encontrou, nem mesmo um broche escondido ou algo do tipo.

Laighas limpou o sangue que já começava a coagular em sua resta. Ao ver Nynther, ele diminuiu sua atitude arrogante, mas visivelmente estava furioso por ter sido interrompido e logo por ele! Ele queria dar a aquela mulher uma lição. Agora seria mais difícil com o comandante ali do lado.

– O que diabos está acontecendo aqui? – Nynther perguntou tanto aos homens quanto a Laighas. – Quem é essa mulher? – E, ao mesmo tempo em que perguntava, seus olhos por um instante se cruzaram com os dela. No mesmo instante percebera como todos os outros, que não se tratava de uma mulher comum.

– Apenas uma pequena diversão – Laighas respondeu. – Essa mulher aí é a nova serva do bando.

Forwën assumiu nova postura defensiva. Chamas faiscaram de seus olhos verdes.

– Eu não sou escrava de ninguém!

Nynther fitou Forwën com mais atenção. Alguns segundos se passaram sem que ninguém pronunciasse uma única palavra. O som só era quebrado pelo relincho dos cavalos. Ambos perceberam a profundidade do olhar do outro. Ela, perturbou-se pela severidade e jeito afiado, ele, pelo envolvimento e brilho. Permaneceram assim calados. Os homens e Laighas esperavam para ver o que o comandante ia dizer. Ninguém ousava quebrar aquele silêncio. Até que finalmente Nynther resolveu se pronunciar.

– Uma mulher que não é da vila e uma guerreira. Ótimo, ela virá conosco – Nynther pronunciou essas palavras sem uma única emoção. Além disso, parecia a coisa mais natural do mundo ela ser obrigada a seguir com eles.

Forwën ergueu a espada. Estava estupefata pelo modo de agir de Nynther e ao mesmo tempo, receosa do que poderia lhe acontecer se fosse capturada e obrigada a seguir com aqueles homens.

– Só se for a força.

Nynther que havia se virado de costas, parou por um tempo ante as palavras dela. Parecia que ele não estava acostumado a ser contrariado. Ele respirou fundo por um momento e de repente se virou em um movimento muito rápido, sacando uma das cimitarras e realizando um ataque tão veloz que mesmo que o corpo ferido e cansado de Forwën estivesse são, não conseguiria acompanhar.

Perplexa, ela sentiu que seria atingida. Desta vez, ela fechou os olhos. Forwën já podia até mesmo sentir o golpe. Agora não tinha mais jeito, simplesmente entregou-se. O golpe fora forte e vigoroso. Porém, ela não se sentiu atingida em nenhum canto do corpo. Sua mão direita, entretanto, ficou bem mais leve. Abriu os olhos e viu. Ela compreendera no exato instante. O golpe atingira sua espada, fazendo-a largar a arma que voara longe e caíra na lama. Finalmente estava completamente desarmada.

Nynther deu de ombros. Sua face não demonstrava a menor expressão, como se aquilo não fosse nada de mais.

– Tola, seu corpo já não agüenta mais nenhuma luta. Nem mesmo segurar uma espada você está conseguindo agora. – Neste momento ele colocou a mão em uma bolsa de couro que carregava e, tirando um pano de dentro desta, o atirou para Forwën. – Limpe esse sangue se prepare para partir.

Forwën, perplexa, segurou o pano, mas não ofereceu a menor resistência quando amarraram suas mãos. Mesmo que quisesse, ela não poderia fazer nada. Com Laighas ela poderia lutar até o fim, mas em relação a Nynther, havia algo naquele meio-elfi que ela não compreendia, exceto por uma coisa – Ante àquela luta psicológica travada apenas pelo embate dos olhares ela perdera. Definitivamente. Já não havia nada que ela pudesse fazer a não ser aceitar o seu destino, seja o que lhe viesse a ser imposto.

Ela fora vencida, completamente.

4 Respostas to “Lâminas do Inverno – Ataque na Vila 5”

  1. Bruno (Shooting Star) Says:

    Oba, muito bom.
    E aí, previsões?
    😛

  2. Como disse, há uma longa estrada pela frente… =D

    Valeu!

  3. Graco Says:

    Esse é o fim do cap 1 ?

  4. Do capítulo 1, sim. why?

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