Lâminas do Inverno – Ataque na Vila 4

nynther_Mais uma parte do primero capítulo de Lâminas do Inverno. O tempo tá curtíssimo mas tudo bem.

Dominance War IV tá me tomando toda a concentração e atenção!

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Forwën sabia que eles atacariam ao mesmo tempo. Cabia a ela então tomar a iniciativa primeiro, de forma a evitar que um dos homens a flanqueasse. Seu ataque deveria ser certeiro e rápido. Sem dizer uma palavra, ela avançou para o segundo bandoleiro em um movimento veloz e esguio, como um bote de uma serpente, do jeito que aprendera com Erlenas.

O movimento dera certo. Ao avançar, Forwën desviou graciosamente, mesmo para um humano trajando uma armadura, do ataque do homem, encontrando nesse ponto, uma brecha em seu flanco direito. Ela prontamente aproveitou essa abertura desferindo ao seu ataque. O golpe fora fatal e o bandido caíra soltando um gemido de dor, encolhendo-se em si mesmo tentando desesperadamente estancar o corte em sua lateral. Na queda, largara sua espada.

Foi apenas o tempo de Forwën se virar e sua arma se encontrara com a do outro bandido que avançara com raiva agora redobrada pelo seu companheiro, provavelmente morto.

– Sua vadia desgraçada! Estava escondendo o jogo? Vou matar você! – ele sibilou.

Ela nada disse. Estava concentrada na luta. Seus penetrantes olhos estavam fixos nos olhos de seu oponente. Forwën então afrouxou a força fazendo o homem se desequilibrar para frente. Dessa forma, ela saiu do espaço de ataque dele para finalmente cravar a espada em suas costas. O homem caiu sem uma palavra.

Forwën ficou a olhar para seus oponentes caídos por um breve instante de tempo, aquele que fora atingido primeiro, desmaiara por causa do sangue que perdera. Em seguida ela voltou-se para a família do taverneiro que se abraçava chorando.

– Vocês estão bem? – perguntou.

– Muito obrigado, muito obrigado minha jovem! – agradeceu o taverneiro – não por você, nem sei o que poderia nos ter acontecido.

– Está tudo bem agora, fiquem aqui e tranquem a porta da taverna, eu vou dar uma olhada lá fora.

O taverneiro assustou-se.

– Não faça isso, eles são muitos! Você não pode com todos eles! E ainda que você os derrotasse, ainda tem aquele demônio loiro e o comandante deles!

Agora foi a vez de Forwën demonstrar alguma reação. Ela se espantou.

– Demônio loiro? Você os conhece?

– Não muito bem. Sei que eles são conhecidos como o Bando das Duas Espadas, isso por causa daquele líder deles, o tal de Nynther. Ele é um meio-elfi e um homem frio de olhos frios. O outro se chama Laighas, creio eu. É um ser cruel pelo que eu ouvi falar. Já me contaram que os homens mais controlados são da tropa de Nynther. Aqueles que são como… esses aqui – o taverneiro neste momento, apontou para os homens caídos no chão – são de Laighas. Ambos são perigosos de qualquer jeito. Vivem de saquear vilas. Faz muito tempo que eles não vêm aqui.

Ele estremecia só de citar esses dois nomes.

Forwën ponderou um pouco e respondeu:

– De qualquer jeito eles virão procurar os companheiros que estão faltando e virão para cá, o que não será bom nem para sua família, nem para a taverna. Uma vez que eu encontre a confusão lá fora, você e sua família estarão a salvo. Pelo menos assim creio eu.

– Isso é verdade, mas… – o taverneiro hesitava ante aquela mulher que se arriscara para salvar sua família e agora praticamente se sacrificaria pela vila.

Forwën, percebendo o porquê da hesitação do homem, procurou tranqüiliza-lo.

– Não se preocupe, vocês me acolheram bem, verei o que posso fazer por esta vila.

– Então… que as bênçãos dos deuses te acompanhem. Muito… obrigado novamente – em seguida ele levou as mãos à cabeça ao mesmo tempo em que observava os homens caídos – Sangue! Eu nunca imaginaria que sangue correria em minha humilde estalagem. Nunca!

Forwën apenas balançou a cabeça e saiu. Fora, havia um clima de bagunça nas vias. As portas estavam fechadas e gritos ecoavam pelas ruas. Olhou para o chão e viu rastros de pegadas de cavalos. De repente, um vento frio soprou, sussurrando em seu ouvido. Ela conhecia muito bem essa sensação. Não era a primeira vez que a sentia e tampouco, ela sabia, seria a última. E a sensação não era nada boa.

Ela engoliu em seco, e novamente balançou a cabeça, desta vez para afastar tais pensamentos. Fosse o que fosse, tinha que ajudar aquelas pessoas. Para isso tinha que arranjar um meio de se locomover mais rápido. A pé naquele frio, ia acabar entorpecida e sendo morta sem nem poder se defender direito. Procurou pelos cavalos dos homens caídos da taverna.

Como em resposta à seus devaneios, ela ouviu um relincho próximo. Virou-se e encontrou os cavalos deles em um local mais adiante. Talvez os homens não tivessem amarrado os animais corretamente, pela pressa que tinham, e assim eles fugiram, mas que por algum motivo, pararam um pouco mais para frente.

A garota aproximou-se de um dos animais e sorriu-lhe ao mesmo tempo em que conversava baixinho em seu ouvido para acalmá-lo.

– Você há de me servir.

Acariciou a crina do cavalo e em um gesto rápido e preciso, montou no animal induzindo-o a galopar com velocidade em seguida. Qualquer um que a visse no cavalo, haveria de se espantar com a habilidade com que ela manejava o animal. Forwën procurou dirigir-se à Casa Grande na Praça Central. Era de lá que vinham os gritos.

Antes de chegar ao local, entretanto, ela encontrou ao longe o terceiro cavaleiro que vira quando espiara pela janela da taverna. Ele também a vira, reconhecendo também o cavalo do companheiro. Imediatamente sacou de sua espada e esporeando o seu cavalo, aproximou-se de Forwën.

– Alto! Quem é você? – interpelou o cavaleiro – pela sua aparência, não parece ser alguém daqui.

Ela manteve o olhar e respondeu:

– Eu sou Forwën e vim pedir para que se retirem desta vila!

– Pedir? – ele riu – com que audácia você vem nos pedir uma tolice dessas? E ainda mais roubando um cavalo de um companheiro nosso e armada dessa jeito?

– Roubado não, emprestado – ela replicou – O seu amigo não quis ouvir o… “meu pedido”. Mas isso não interessa. O que interessa é: onde estão os seu líderes?

O homem espantou-se. Do que diabos aquela mulher estava falando?

– Líderes? O Bando das Duas Espadas só tem um líder!

– Ora vamos – Forwën deu de ombros – a quem você realmente segue? Laighas ou Nynther?

Ante a essa pergunta, o homem calou-se pensativo. Pôs-se a coçar o queixo com uma das mãos enquanto que a outra segurava as rédeas. Como aquela forasteira sabia tanto? – Era a pergunta que fazia a si mesmo. Ele olhou fixamente para Forwën e a avaliou de cima a baixo. Uma bela mulher jovem, com certeza estrangeira, usando uma armadura e portando uma espada com ar ameaçador era realmente uma novidade para ele. Novo olhar e desta vez de um modo malicioso. Eis que uma idéia acabara de lhe ocorrer. Respondeu então lentamente:

– Você quer ver o Laighas? Então tudo bem, posso te guiar até ele.

Agora foi a vez de Forwën ficar pensativa. O bandoleiro de súbito, mudara o seu modo de falar. Ela sabia que ele planejava algo, e pelo modo que a olhara, tinha quase certeza de suas intenções.

“- Ele deseja me entregar de mão beijada ao líder dele, mas se ele acha que sou idiota, está muito enganado. Tudo o que eu preciso fazer é matar o tal do Laighas. Assim a moral desses bandoleiros ficará abalada. É então que o povo da vila poderá agir”. – Ela pensou.

– Muito bem, leve-me ao Laighas.

O homem sorriu:

– Acompanhe-me – disse e virou-se novamente esporeando o cavalo.

Enquanto isso, na praça, Laighas tranquilamente observava em cima de seu cavalo a movimentação dos homens. Com satisfação ele via os pobres lavradores desesperados em proteger os seus bens, obtidos pelo suor e trabalho árduo.

Tudo para no fim ser entregue às mãos daqueles bandoleiros nojentos!

Laighas sorriu. Sim, tinha que ser daquele jeito mesmo. Aqueles aldeões covardes tinham muito é que agradecer por no fim serem poupados. É verdade que alguns deles foram espancados por terem tentado barrar o caminho dos homens, mas ora! Eles estavam apenas fazendo o serviço deles. Quem mandou atrapalhar? Tinham que agüentar as conseqüências!

Ele sorriu novamente, mas desta vez com crueldade. Ele bem que gostaria de ensinar uma lição de verdade àqueles covardes, mas Nynther proibia mortes inúteis. Se pelo menos algum deles quisesse ousar ser um herói e enfrenta-los… aí não haveria desculpa, teria que morrer.

A bem da verdade é que o povo de Brantorm é um povo pobre e pacífico. A vila, localizada em uma região remota sempre tivera dias de paz, mesmo em anos conturbados. Jamais algum exército passou por lá. Apenas os viajantes, como Forwën. Porém, fora isso, nada de mais. Talvez a única vez em que tiveram seus dias de terror, fora quando da primeira vez em que os bandoleiros investiram na vila, anos atrás, como dissera o taverneiro. Mas isso fora realmente há muito tempo, quando nem mesmo Nynther era o comandante do bando.

Por situar-se justamente nessa região afastada em área setentrional, as notícias raramente chegavam lá. O melhor meio de comunicação, era o dos viajantes que apareciam por lá ou das pessoas das outras vilas. A vila nem mesmo soldados tinha. E isso porque ela ainda fazia parte do território de Lehainas, um reino grande e pequeno ao mesmo tempo.

Desde que o Rei e a Rainha de Lehainas foram assassinados e o irmão do Rei assumira o lugar, o reino passava por algumas dificuldades em sua política interna e externa. Não que não houvesse tais intrigas. Como em todo governo, sempre existiram os problemas de política, porém, agora tais problemas pareciam ter aumentado de intensidade. A administração passara a relaxar quanto aos problemas internos e algumas localidades do reino foram praticamente esquecidas, como a vila de Brantorm. Outras, porém, sofriam com os costumeiros impostos excessivos. O motivo era a política externa. O vizinho reino de Miriath, um império comercial e militar de extensão territorial gigantesca, passara a agir em sua política agora expansionista. Alguns reinos como o de Garavia e Kalinäe, próximos, tiveram que fazer acordos para não serem invadidos, enquanto que o orgulhoso reino de Flandor que também faz fronteira com Lehainas, resistira, tendo as suas terras impiedosamente ocupadas.

Em Lehainas a situação é parecida tanto em relação a Garavia, quanto a Flandor. Ainda há resistência, pois não há ocupação da terra, porém há o pagamento de um tributo imposto por Miriath.

Tudo isso eram sombras que pairavam naqueles que tinham conhecimento da situação política do reino. Para a maioria dos habitantes entretanto, tudo parecia distante. E para os habitantes de Brantorm, mais ainda. Por isso, a remota vila tinha os seus dias de paz, mesmo estando mais próxima de Miriath do que de Lehainas. Ninguém seria louco de invadir o reino por ali, região amplamente montanhosa e de difícil acesso para um exército transpor. A informação ali, quando chegava, era inteiramente deturpada por causa da longa distância que tinha que percorrer.

Por sinal, esse foi um dos motivos de Forwën ter utilizado seu nome e não um pseudônimo qualquer. Ela sabia que seus cabelos brancos chamavam a atenção. Aliás, não só os cabelos, mas sua aparência em si é que atraía os olhares. E isto dificultava a sua vida, afinal, pois em Lehainas ela era procurada. O real porquê porém, será explicado mais adiante. Por ora nos atemos a Laighas.

O sorriso desaparecera de sua boca ao se lembrar do comandante. Laighas simplesmente não entendia a “benevolência” de Nynther em querer poupar vidas. Aqueles pútridos aldeões não valiam nada! – Laighas cuspiu irado nesse momento – e ainda havia aquilo dos homens não poderem se divertir. Uma só mulher? No que diabos ele estava pensando?

Ele permaneceu assim em seus devaneios, quando ouviu som de cascos de cavalos próximo a ele. Olhou e viu um de seus comandados acompanhado de uma bela moça de cabelos brancos. Curioso, aprumou o olhar.

De fato era bela, a pele alva e fria realçava seus exóticos cabelos e seus verdes e penetrantes olhos. Laighas apeou de seu cavalo e esperou chegarem.

A um pequena distância dele, Forwën também desmontou e o mirou com atenção.

2 Respostas to “Lâminas do Inverno – Ataque na Vila 4”

  1. Bruno (Shooting Star) Says:

    wow.. mais, mais!🙂

    Muito boa a história e bem escrita. Só achei um errinho aqui:
    “Olho(Olhou) e viu um de seus comandados acompanhado de uma bela moça…”

  2. Ops, my bad! Foi a pressa de escrever. Eu não costumo cometer esses erros toscos de ortografia, mas sabe como é, com pressa e quase meia-noite, com sono, dá nisso!

    Obrigado por avisar!

    E aguarde que a quinta e última parte deste 1º capítulo virá em breve!

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