Lâminas do Inverno – Ataque na Vila 3

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Continuação ainda do primeiro capítulo. Lembrando a vocês que o texto ainda sofrerá revisão. Mas NADA que altere a idéia original, ok?

Ah e a propósito. A imagem acima é uma montagem que eu fiz faz um tempo. A atriz é a Sarah Roemer (Paranóia). Ela seria uma ótima atriz para fazer o papel da Forwën em um suposto filme, não? Bem, boa leitura!

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Forwën inspirou fundo novamente o ar da manhã. Em seguida ela olhou para baixo. Gostava de ver a cidade nascendo, as pessoas circulando nas estreitas ruelas, apregoando suas mercadorias e serviços.

Algumas pessoas a viram na pequena janela da taverna, no segundo andar, e acenaram para aquela forasteira estranha, mas gentil.

Divertida, a moça acenou a todos e depois se virou para o interior de seu quarto, decidida a prosseguir viagem para o extremo norte. Para isso ainda tinha que arrumar suas coisas.

Estava nesses afazeres quando o fecho da bainha de sua espada soltou-se, caindo no chão de madeira provocando baque metálico, o que fez Forwën estremecer, enquanto o fino som ia se perdendo no ar. Em seguida ela tomou a bainha em mãos delicadamente. Saco então a espada e pôs-se a fitá-la. Era uma boa peça, nada de excepcional, exceto o excelente acabamento em aço na empunhadura. Não havia nenhum desenho ou escritura em especial, mas a espada esteve com Forwën havia um bom tempo. Quantas vezes já a utilizara? Quando foi a primeira vez que matara alguém? Um bom tempo ela permaneceu nestas reflexões enquanto segurava a espada. Enfim, guardou-a na bainha.

Agora ela examinava com cuidado sua bainha. Assim com a espada, possuía um acabamento muito bom. O que mais chamava a atenção era a imagem de um dragão cuspindo chamas e uma imagem do Amanhecer, um dos símbolos da deusa Dhaneria. A bainha em si era de madeira, o dragão e o sol em ouro. Por causa disso devia valer algumas moedas a mais. Porém, o que lhe dava mais valor, era o fato de ter sido um presente de sua mestra.

Novo estremecimento. E não era de frio. Pensou então nos anos passados, quando estivera com seu mentor. Mais que isso, foi como uma mãe para Forwën. Seu nome era Erlenas. Obviamente dedutível pelo nome que se tratava de uma elfa, ou seja, pertencia à raça do Povo da Música, como eram conhecidos em algumas terras de Dhaneria.

Apesar de não ser tão velha pelos padrões de sua raça, Erlenas já tinha alguns anos de vida bem vividos. Forwën se lembrava que quando ainda menina, abandonada, com as vestes em estado deplorável, faminta, estivera prestes a encontrar a morte, quando fora encontrada e acolhida pela elfa. Lembrava-se muito bem de como ela era. Linda como quase toda integrante do Belo Povo, Erlenas possuía um volumoso cabelo castanho, cacheado e olhos cor de mel.

Sua sobrevivência e auto-suficiência Forwën deve a ela. Tudo que a garota sabe, desde a sua fluência no élfico, até no manejo da espada, deve a Erlenas. E por isso Forwën lhe sempre será grata.

Apesar de tudo, Erlenas desapareceu. Simplesmente ela acordou e a elfa havia sumido. Procurou nas redondezas e nada. Nenhum sinal. A bem da verdade, Forwën desconfiava de um lugar: Alfheim. Isso porque a elfa viera de lá. Na noite anterior do sumiço, Forwën lhe contou o que se lembrava de sua história e relatou o desejo implantado em seu coração de ir para a Cidade Oculta, como era conhecida. Erlenas ouviu em silêncio e se opôs. Forwën não devia ir para lá. Não agora. E então a elfa teve uma visão. Pelo menos parecia ter entrado em transe. O que ela viu, não relatou a Forwën, mas após esta cena ela havia mudado e ficado mais calada.

E assim permaneceu por toda a noite. E quando Forwën despertou, ela já não mais lá estava.

Forwën suspirou e ajeitou o fecho da bainha de forma correta. Mas aquele não era o principal motivo de ir para Alfheim. Enquanto arrumava suas coisas ela tocou um objeto, frio e delicado ao primeiro toque, com uma textura lisa. Era uma pequena esmeralda oval, de um belo verde e uma fina camada luminosa, refletida aos raios solares que se derramavam pelo quarto. Estava presa a um cordão. Até mesmo a mais leiga das pessoas poderia deduzir que aquela pedra não era como as outras e que deveria valer uma pequena fortuna.

Tomou a pedra em mãos e pensou nas palavras que ecoavam em sua mente:

“- Forwën, vá para Alfheim! Lá você encontrará a verdade. Essa pedra é sua entrada para lá!”.

Erlenas conhecia a pedra. De fato era uma obra de ourivesaria advinda de Alfheim. A esmeralda era uma pedra de alto valor mesmo entre os elfos e somente aqueles dignos poderiam possuí-la. Forwën se lembrava muito bem dessa conversa, afinal fora no mesmo dia em que ela expressara desejo de ir para a Cidade Oculta.

Novas palavras ecoaram em sua mente:

“- Guarde bem essa pedra, pois ela é bastante valiosa. Mais que isso, se um dia você pretende ir para lá, essa pedra será a sua entrada.

Forwën suspirou novamente. Não adiantava ficar pensando no passado. Passado que não voltava e nunca iria voltar. Forwën guardou a pedra. Tinha que alcançar Alfheim. Muitas respostas certamente seriam encontradas lá. Resoluta, ela amarrou o cordão em seu pescoço, escondendo por baixo da túnica sob a armadura, arrumou suas coisas, amarrando-as, depois cingiu a espada e se ergueu para sair.

Estava com a mão quase encostando à maçaneta da porta, quando esta se abriu com um estrépito provocando um forte estrondo ao encostar-se na parede. Em seguida uma mulher com ares de desespero adentrou no recinto. Forwën reconheceu como uma das filhas do taberneiro.

– Ah! Senhora Forwën, finalmente a encontrei! Por favor, nos ajude! – a moça suplicou com voz entrecortada.

– Calma, acalme-se! O que aconteceu?

Ela respondeu ainda ofegante:

– Eles vieram senhora. Estão atacando aqui também! Bem que os rumores eram verdadeiros! A senhora tem uma espada, por favor, use-a contra eles!

Forwën estava perplexa

– Eles quem? Quem são eles?

– As pessoas os chamam de Bando das Duas Espadas. Eles de tempos em tempos invadem e saqueiam as vilas agora e agora estão aqui! Ouça, ouça os gritos!

Forwën apurou o ouvido. De fato, ao longe vinham gritos. Gritos de socorro. Talvez ela pudesse tê-los ouvido antes, mas perdida em seus pensamentos, ficara distraída. Ela correu de volta a janela do seu quarto para observar melhor. O que Forwën viu, foi o suficiente para tomar uma resolução. Na estreita via, três cavaleiros se aproximavam arrancando à força em seu percurso, um saco cheio de frutas das mãos de uma mulher que fugia aterrorizada. No processo, a mulher foi ao chão. Nos rostos dos cavaleiros havia um quê de crueldade em seus risos ao realizar tal ato vil. Forwën, ante a essa visão apenas murmurou: – Pela glória de Amanna!

Sacou de sua espada com força, fazendo a lamina uivar um som agudo e alto, correndo em seguida para as escadarias abaixo dizendo para a filha do taberneiro:

– Já é motivo mais do que suficiente!

Ela mal chegara no andar de baixo, quando dois homens, por sinal, dois dos três cavaleiros que ela vira da janela, adentraram na taverna com as espadas desembainhadas. Forwën observou melhor quem eram os inimigos.

Com um aspecto terrível e sujo, os homens trajavam vestes de um couro vagabundo e botas de montar. Um dos homens tinha uma capa puída, enquanto que o outro não possuía capa alguma. Ambos tinham cabelos negros e a pela amorenada, cheia de cicatrizes de batalhas. Suas espadas estavam em um estado razoável. Qualquer um poderia notar que se tratava de bandoleiros.

– Taverneiro! Queremos vinho e queijo! – ordenou arrogantemente um deles.

– E traga o vinho da melhor qualidade! – acrescentou presunçosamente o outro.

O pobre taverneiro, um homem gordo e baixo, estava em seu balcão de madeira, tremendo da cabeça aos pés, com medo, impossibilitado de falar ou protestar qualquer coisa. Paralisado, estava impossível de exercer a ação que tinha sido incumbido.

O segundo homem gargalhou falando alguma coisa e se aproximou ameaçadoramente do taverneiro, fitando seu rosto bem defronte ao dele.

– Qual diabos foi a parte que você não entendeu? Vinho ou Queijo? – exasperou-se o bandoleiro – Que raios de taverna é esta em que os clientes não são atendidos? A gente fez um pedido! Agora é uma ordem! Faça! – e seus gestos eram ainda mais ameaçadores.

Dito isto, o bandoleiro puxou fortemente o taverneiro pelo colarinho para obrigá-lo a se mexer.

A um canto, a mulher do taverneiro chorava e pedia para deixarem seu marido em paz. O filho do taverneiro, um moleque dos seus doze anos, também amedrontado, venceu o medo e, empunhando uma faca que estava sobrando em uma das mesas, tentou atacar o bandido. Porém este o viu e apenas o empurrou para longe fazendo-o ir de encontro as mesas.

– Aron! – gritaram a mãe e o pai ao mesmo tempo.

O garoto batera com a cabeça na quina de uma das mesas, largando a faca que deslizou para longe. Tonto ele conseguiu manter o olhar para o homem que ameaçava seu pai. Um filete de sangue escorria em sua testa.

O segundo bandoleiro, que estivera a divertir-se muito com tudo aquilo, riu bem alto e se aproximou de Aron dizendo:

– Aqui temos um moleque bem valente, não? A quem puxou garoto? Ao pai que não foi. – Nova gargalhada de ambos.

Então o homem estendeu sua espada, ameaçando Aron, que agora estava com o corpo tenso, visivelmente apavorado e frustrado pela humilhação que acabara de receber.

O homem que segurava o taverneiro fechou a cara e disse:

– Já chega de brincar, o chefe exigiu um serviço rápido e é o que vamos fazer – ele se virou para o taverneiro – Vamos logo com isso, onde fica a maldita despensa? Fala se não a gente mata o pirralho!

– Vocês não vão matar ninguém enquanto eu estiver presente seus vira-latas imundos! – Forwën desceu o último lance da escada e manteve-se entre os dois bandoleiros a mais ou menos vinte passos – E você – ela disse se dirigindo ao primeiro homem – acho melhor largar o taverneiro o quanto antes.

Ela proferiu essas palavras com a espada estendida, apontando para aquele que ameaçava o garoto.

Os dois homens se entreolharam por um segundo e depois desataram em uma outra gargalhada, ainda mais estrondosa que a anterior. O primeiro deles falou:

– Quem você pensa que é sua franguinha, para ameaçar homens como nós? Quer dar uma de herói é?

– Ora, ora, uma mulher que não é destas paragens com certeza. Diga-me mocinha aventureira o que fazes aqui? E que raios de cabelos brancos são esses? – perguntou o outro.

Ao que Forwën respondeu:

– Os meus desígnios são meus e pertencem apenas a mim. Não é assunto que interesse a vocês maltrapilhos inúteis. Quanto aos meus cabelos brancos, é outro assunto que não interessa. O que importa aqui e agora no momento é que vocês deixem essa família em paz e se retirem!

Os homens franziram o cenho. Aquilo já estava por irritá-los.

– E ainda pelo modo de falar me parece uma destas aristocratazinhas vagabundas. Escute aqui ó garota valente. Cansei das suas respostas. Quis ser gentil, mas estou vendo que é impossível. Vou lhe ensinar uma lição agora mesmo! – Exclamou atropelando as palavras aquele que ainda estava segurando o taverneiro, empurrando-o com força no momento em que falava.

O taverneiro foi ao encontrou de uma prateleira de madeira, derrubando alguns utensílios.

– Ela até que não é nada mal, não é? – falou o outro – podemos nos divertir com ela!

– Ah, com certeza vamos nos divertir. Estou louco para provar dessa linda carne branca.

– Tente se quiser – respondeu Forwën com asco daqueles homens.

Ela posicionou-se em guarda enquanto os dois homens também se posicionavam cercando-a. O garoto Aron, aproveitou que o homem lhe dera as costas, para se arrastar de volta a sua mãe.

4 Respostas to “Lâminas do Inverno – Ataque na Vila 3”

  1. Bruno (Shooting Star) Says:

    Uiaaa…
    Mais, mais.

    Muito bom… e a imagem alterada ficou irada.🙂

  2. É meio antiga, mas tá valendo hehe.

    Em breve posto o resto desse 1o capítulo.

  3. Graco Says:

    Nomad tu devia fazer um “copilado” tipo botar um link para o até então sei lá um post ou uma seção ai “E-book” talvez para facilitar a leitura ( se já houver me diz onde ta😄 ~~)

  4. Pretendo fazer isso sim… mas quando concluir o 1º capítulo no blog.

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