Quer aprender a fazer quadrinhos? Vá atrás!

Pois é. Eu estive dando umas olhadas em uns trabalhos meus anteriores e revendo os atuais. Junto a isso, estou relendo o “Desenhando Quadrinhos” do Scott Mccloud. E ainda vou ler com mais calma o “Como Escrever Estórias em Quadrinhos” do Alan Moore (Mú para alguns paranóicos por aí :D) e o Quadrinhos e Arte Sequencial do mestre Will Eisner.

Tudo isso me deu idéia para escrever esse post de hoje. Aqui falarei mais sobre o livro do Scott, porque ele engloba idéias dos dois últimos texto citados acima.

Pois bem, vamos lá.

O motivo deste post, além do fato de eu ter olhado meus trabalhos antigos e atuais, também é por causa da velha discussão sobre quadrinhos no Brasil e sobre os trabalhos já existentes na área. Cedo ou tarde, eu teria que abordar esse assunto aqui, né? De certa forma, falarei minha opinião a respeito disso tudo no final deste post.

Muitos blogs e podcasts já falam desse assunto. Não citarei nenhum, apenas colocarei no fim minha opinião pessoal, se você concorda, ótimo, se não tudo bem.

desenhandohqFalemos do livro então. Apesar dele já ter sido lançado faz um tempo, sei que existe gente alienígena que nunca ouviu falar dele, ou pessoas que já ouviram falar, mas nunca puderam ler… ainda.

O livro, publicado pela M.Books, possui 264 páginas (contando com o índice) e tem elogios dos velhos “bam-bam-bans” Neil Gaiman, Jim Lee e Alan Moore.

Como você pode ver, temos no subtítulo: “Os segredos das narrativas de quadrinhos, mangás e graphic novels”. Resumindo, o livro procura abordar tudo. Desde narrativas em comics, cartuns, europeus em geral, até a narrativa de mangás (acho que aqui, foi por isso que ele separou mangás e quadrinhos, pois apesar do primeiro obviamente ser quadrinhos também, a narrativa é diferente) e graphic novels (que também possui narrativa diferenciada).

O livro se diferencia de muitos do gênero, por utilizar uma narrativa em… quadrinhos! Ou seja, é um livro falando de receitas e técnicas para se construir quadrinhos, em forma de quadrinhos. Isso torna a leitura BEM mais fluente e fácil. Simples mesmo de ser entendida. Tanto pelo texto, quanto pelas imagens e expressividades visuais. Do mesmo jeito é o livro: “Perspective for Comics Book Artists” do David Chelsea, um livro excelente de perspectiva que utiliza a mesma linguagem de quadrinhos (falarei desse livro em outro post).

Temos como capítulos:

Introdução – Aqui ele obviamente introduz o conteúdo que será abordado no livro fazendo um panorama geral.

Escrevendo com Imagens – No real primeiro capítulo, ele fala sobre algo bem importante: o planejamento do que será inserido na história. Ele cita 5 situações: Escolha do momento, Escolha do Enquadramento, Escolha das Imagens, Escolhas das Palavras e Escolha do Fluxo. Talvez estes 5, sejam os momentos cruciais para o sucesso de uma HQ. É a velha estratégia do “guiar” ou “confundir” o olho do leitor.

Histórias para Humanos – Aqui o foco são os personagens. Outro conceito-chave, talvez mais importante do que todos os outros, pois o personagem é o centro de tudo, de uma história. O interessante é que ele não se prende a um personagem estilizado ou bem real. O que importa é o conceito de personagem e seus 3 pontos: Design do Personagem, Expressões Faciais e Linguagem Corpórea. Ponto para o fato do autor alertar para que se evite a mesma expressão de personagens diferentes. Outro ponto é um guia que ele dá, tomando como base na seleção de cores primárias que podem formar qualquer cor, em relação às expressões faciais na qual com 6 expressões básicas, podermos formar diversas expressões secundárias e terciárias. Na expressão corporal o que vale é a… expressividade do corpo! Pode parecer fácil, mas é bem difícil. Ele ainda mostra um exemplo entre um desenho anatomicamente correto, mas sem expressão e um com figura BEM SIMPLES, porém com forte expressividade que dá vida.

O Poder das Palavras – Neste capítulo, o centro é o texto. A simples combinação de palavras que podem formar uma história, curta ou grande, simples ou complexa. São elas que ajudam também no dinamismo da história. Uma ressalva minha aqui: Lembremos que o nome é – HISTÓRIAS em quadrinhos. Portanto, o poder da palavra é um capítulo que deve ser estudado com cuidado.  Além disso, há a utilização das fontes digitais. Qual a que melhor se identifica com a história?  Por fim, temos a velhas e famosas onomatopéias.

Construção de Mundos – Senso de localidade, perspectiva e pesquisa. Resumindo: uma noção de perspectiva. Muito bem, você tem o personagem, tem a narrativa, tem as palavras, mas… e agora? Onde seus personagens vivem? Como é o ambiente ao redor deles? (Lembra daquele meu post: Os mistérios da perspectiva?) Pois é. Ele explica isso bem melhor no livro. Como disse e ele cita no livro: “Para tornar seus mundos mais acreditáveis visualmente, você precisará abordar o assunto e desenhar cenas em perspectiva”. Ele cita os quatro recursos básicos da profundidade: Sobreposição, Tamanho, Desbotamento, Posição. Importante é você reconhecer qual a sua proposta em sua história. Você pode desenhar algo simples, estilizado e genérico, ou fazer algo mais bem trabalhado que traga um senso de credibilidade ao seu leitor. Ambos exemplos estão corretos.

Ferramentas, Técnicas e Tecnologia – Este capítulo é interessante. Ele simplesmente fala dos materiais que podem ser utilizados na construção de uma HQ.  Também ele fala sobre os suportes, como a prancheta. Capítulo muito bom para aquele que quer ter uma noção do que utilizar para desenhar a sua história.

Seu Lugar nos Quadrinhos – Último capítulo do livro, bastante importante também, ele faz um diálogo com o leitor sobre o estilo que quer seguir. Ele conceitua os mangás, graphic novels e outros tipos de quadrinhos, falando de seus gêneros. Por fim, ele cita a cultura contida nos quadrinhos e faz a sua consideração final sobre tudo que foi abordado, porém deixando o espaço aberto para discussão.

Em minha opinião, é praticamente uma Bíblia dos Quadrinhos. É um dos livros mais completos do gênero e serve tanto para o iniciante, aquele que está aprendendo e até mesmo a veteranos do gênero. Pois uma coisa é certa. Aprenda que: Quadrinhos é coisa séria e tanto a indústria quanto o leitor estão constantemente em renovação. Saber conquistar o leitor é garantir o sucesso.

Eu particularmente, quando leio este livro, fico com a cabeça fervilhando para criar algo. A inspiração vem.

Uma coisa que tive que aprender é: JAMAIS faça a história para si mesmo.  Mas também não deixe o leitor domesticar você. O meio-termo é o ponto que deve-se encontrar. E isso é difícil, mas não impossível de se conseguir.

Não vou discutir estratégias porque eu também estou neste barco ainda. Fase de experimentação e prática. Este blog foi o primeiro real passo. Felizmente a resposta está sendo boa, melhor do que o esperado.

Voltando ao assunto. Vejo muitos trabalhos por aí que são centrados em si mesmos, não há diferença de personagens, não há cenário e com texto fraco. Tá certo que os meus não são lá essa coisa, mas isso é fato gente. O problema é que muitas pessoas esquecem do nome “história” e se dedicam apenas à ilustração. Esquecem de escrever ou digitar um texto, nem que seja um resumo do que será desenhado. Seja dos diálogos, do cenário, das expressões, da trama. Existem poucos quadrinhos de qualidade aqui no Brasil. Muito poucos. O caso é realmente sério, pois temos excelentes desenhistas, mas pouquíssimos escritores (no caso dos quadrinhos). Isso para não falar dos erros crassos de português.

Claro que ninguém precisa ser um estudante de letras ou um gramático para escrever a gramática impecavelmente correta. Tou falando é de erro de ortografia mesmo! Quer uma dica? Escreve o texto no word e veja as correções que ele faz. Simples. Mais importante é sempre fazer uma revisão daquilo que escreveu.

Muitos personagens são até bons, mas precisam ser lapidados. O maior problema que vejo (e eu também tenho que treinar muito isso) são nas expressões corporais aliada à expressões faciais. Muitos também são bem sem sal, ou o traço é confuso de forma que você não sabe se é personagem Fulano ou Sicrano. O model sheet é importante para isso.

Outro caso preocupante é a fluidez da narrativa. Muitos autores preocupam-se em imitar, simular àquele quadrinhospreferido (mais no caso dos desenhistas de mangá) e se esquecem de criar sua própria narrativa. Temos então quadrinhos confusos.

Porém eu ainda acredito no quadrinho nacional. Falo isso não como desenhista, mas também como leitor. Não sei porque, mas minha intuição me diz que o cenário em breve vai mudar. Tudo bem que intuição é uma coisa muito supérflua, mas veja bem: ultimamente vêm pipocando na internet discussões acerca do assunto, novas gerações procurando informação em comunidades, livros, etc.

Acredito que em breve, mais cedo do que achamos, podemos ter algo funcional. Muitos estão na corrida, basta que alguém consiga chegar lá para mostrar que a coisa é possível (e por favor, não me venha citar o Maurício de Souza). Impossível, com certeza que não é. E minha intuição raramente falha😀.

Então, vá escrever e depois desenhar! E pare de ficar choramingando pedindo com voz lamuriosa para as pessoas comprarem seu gibi para estimular a produção nacional. Quadrinho deve ser feito com qualidade, e quando falo isso, tou me referindo a funcionalidade dele e a sua função primordial: Entretenimento do leitor.

Você pode até mesmo inserir seu universo próprio nas suas HQs (Schulz que o diga!), mas faça-o de modo que o leitor se identifique com ele também!

16 Respostas to “Quer aprender a fazer quadrinhos? Vá atrás!”

  1. Graco Says:

    Rapaz quanta informação! bacana nomad vlw por esse post foi muito util

  2. E mais virão!

  3. 🙂 Ô mestre. Quando tu vai me emprestar esse livro…

    [geração de novos quadrinistas RULES! \o/]

  4. Quando eu terminar de dar uma olhada

  5. Graco Says:

    Eu ja descolei o meu! XD~~

  6. Macilio Oliveira Says:

    … eu tenho mais é em PDF e são muitas paginas sabe num dá pra imprimir… quem é esse Graco mestre?

  7. Um amigo meu. Daqui de Fortaleza também.

  8. ALEXANDRE RAMOS MASTRELLA Says:

    MAIS IMPORTANTE QUE ESSE LIVRO, QUE TENTA TE IMPOR REGRAS E MOSTRAR TECNICAS, A PRIMEIRA COISA QUE SE TEM QUE ESQUECER QUANDO SE FAZ ARTE, UM LIVRO BEM MAIS INTERESSANTE SERIA O COMIC BOOK, A NOVA TENDENCIA DO QUADRINHO AMERICANO, DA CONRAD. ESSE SIM MOSTRA CAMINHOS E ABRE AS CABEÇAS DA GALERA PRA SE SOLTAREM DE VERDADE NO MUNDO DOS QUADRINHOS. OUTRA DICA ASSISTAM AO FILME O ANTI HEROI AMERICANO QUE FALA SOBRE A VIDA DO HARVEY PEKAR. É PARTINDO DAÍ QUE VOCE ESTARÁ DENTRO DO QUE REALMENTE ESTÁ E VAI ACONTECER NO MUNDO DOS QUADRINHOS.

  9. Meu caro Alexandre.

    Confesso que não conheço o tal livro citado. Mas acredite, irei atrás dele agora mesmo!

    Já o filme eu conheço e recomendo. Muito bom!

    Minha intenção no post era mais falar da técnica mesmo, mesmo quando ela não precisa existir. Pois mesmo um quadrinho sujo e bem underground tem lá as suas bases. Concordo em número, gênero e grau com você, quando você diz que regras impostas fazem mal a um artista. Ainda mais por eu ser graduando em Artes Plásticas.

    Já discutir os rumos do quadrinho seja mundial ou nacional, não me atrevo porque admito que não tenho peito para isso. Deixo essa tarefa a cargo de gente BEM mais competente que eu. O único momento em que citei tal assunto foi apenas quando falei de minha intuição de que a situação aqui no Brasil pode melhorar. Pelo menos é o que eu espero.

    Bom, sua opinião é muito importante, assim como a de qualquer um que comenta aqui neste blog. Fica aí registrada para quem quiser ver.

    Obrigado pela sua opinião. Irei imediatamente procurar o tal livro.
    Abraços
    Rodrigo Mendez

  10. Ah, e apenas uma pequena correção:

    O nome do livro é: Comic Book: O novo quadrinho norte-americano

  11. Esse negócio de arte sem regras é fruto de uma mente presa nas filosofias flower-power ou Duchamp, o autografador de “privadas”. Vamos falar sério: pra fazer arte é preciso conhecer as regras e as técnicas …antes de soltar a criatividade é preciso ter conteúdo. Harvey Pekar e o “Comic Book” da Conrad são produtos para uma elitizinha pseudo-intelectual que não curte o quadrinho real, o quadrinho pop, povão, vendável…que emociona e angaria fãs tipo Hulk e Mônica Jovem. Digam o que quiserem, mas, quadrinho de verdade tem que ter público! E o livro do Scott McCloud é imperdível pra quem quer produzir ou entender quadrinhos.

  12. krollinne Says:

    eu gostei dos seus comenterio.só queria mas uma coisa, só que vc colocasse alguns desenhos no seu blog!!!!!

  13. Muito obrigado krollinne, pelo elogio!

    Bom, quanto aos desenhos. De vez em quando eu jogo alguns. Na seção Galeria, você pode ver alguns desenhos meus por lá. Aos poucos vou adicionando mais.

  14. kkkkkkkk Como escrever histórias em quadrinhos com Alan mongo? É simples é só escrever um monte de merda que sempre envolva tudo que for anti-cristão, pró-comuna e pró paganismo ecobabaca e pronto você escreve quadrinhos no péssimo estilo dessa bichona inglesa.

  15. Will Eisner é mestre em quê? Em ser um puta embusteiro que nem sabe desenhar? Que supostamente escreveu aquelas histórias babacas e fez aqueles garranchos ridículos? Mestre do embuste, mas os otários adoram.

  16. É por isso que os pseudo artistas do Brasil não chegam a lugar nenhum, nem aprendem a utilizar uma técnica e acham que podem contestá-la, são uns preguiçosos isso sim. Uns parasitas que querem apenas se apropriar de uma profissão ( desenhista ) não aprender a executar as técnicas básicas dessa profissão e devido a essa preguiça acham que podem “revolucionar”. São uns babacas.

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