Lâminas do Inverno – Ataque na Vila 2

rascunho_tavContinuação do post de mesmo nome deste:
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“A pequena vila de Brantorm, situada no vale Torm é uma agradável cidadezinha montanhosa. Com seus pouco mais de trezentos habitantes, era freqüentemente procurada por viajantes, tanto para descanso quanto como intercessão para prosseguir viagem além de Lehainas. Isso porque a vila localiza-se quase na fronteira norte do reino, sendo até que um pouco independente, com um governo comunitário elegido entre os comerciantes apenas para representação a estrangeiros e questões locais.

Sua arquitetura possui traços comuns, casas baixas, com exceção das tavernas, predominantemente em madeira. As vias são de terra batida, pelo passo cadenciado dos animais e do movimento diário de seus habitantes. A maior construção talvez seja a Grande Casa, como era chamada pelos tornianos. Trata-se de um espaço com amplos vãos destinado à reunião de mercadores e seus afazeres. Era considerado o ponto central e marco da vila, onde em frente situa-se uma pequena praça. O segundo ponto mais importante do local é a pequena capela destinada a todos os deuses. Pela falta de sacerdotes, o governo local erigiu um santuário para adoração a qualquer deus. Ficava logo na única entrada da cidade para que qualquer um pudesse adorar ou simplesmente pedir proteção a seu deus.

Protegendo a vila, apenas uma muralha de paliçadas de madeira. Havia também a milícia local, se é que se pode ser chamada de milícia realmente. Eram apenas uns oito homens que possuíam o cargo apenas por simbolismo, pois que eles eram mais habilidosos na enxada do que na espada.

E mais que isso, o terreno irregular do vale reforça a proteção do lugar. A região ao todo é circundada por formações rochosas de médio porte, dando a impressão de um pequeno exército espalhado em meio ao campo. Ao norte e ao leste, situa-se a pequena floresta de mesmo nome da vila, com seus carvalhos e pinheiros. Alguns ainda com folhas ocre amareladas, outros já com os galhos nus, o que indicava a proximidade do inverno. A oeste está uma modesta coluna de pedras e colinas onde nasce o caudaloso ribeirinho de Syr, o que provém a vila com a água, tão preciosa. Finalmente ao Sul, fica a entrada do pequeno vale, com uma campina rala e ainda assim verdejante.

Em suma, Brantorm é uma vila simplória e aconchegante para certos padrões. Com uma comunidade unida e trabalhadora. Uma vila como qualquer outra, com o monótono som das marteladas do ferreiro, se confundindo com os cascos dos cavalos e burros de carga. Com o alto burburinho das ofertas dos mercadores a viajantes passageiros, contrastando com o volume do tear das mulheres. Com sua população em sua maioria analfabeta, mas de certa forma, feliz, mesmo que ainda vivendo em condições um tanto precárias.

A verdade é que, eles eram livres e compreendiam muito bem o significado desta palavra.

Por fim, o local de onde vinham os maiores sons era na Taverna do Javali Perdido, onde recentemente se instalara uma viajante mais estranha do que todos os outros que já lá pisaram. Isso porque tratava-se de uma jovem e linda moça, de olhos verdes cristalinos e um longo cabelo branco.

De fato, a presença de Forwën marcou um desses raros acontecimentos que mexem com toda uma vila. E apesar dos pesares, todos ficaram encantados com a moça que mesmo trajando uma armadura e portando uma espada, parecia ser mais ameaçadora que os homens da cidade. Encantaram-se pela sua gentileza e sorriso que ela tratava a todos. E, sobretudo pela pena que sentiam dela, pois que ela ainda assim trazia consigo uma certa aura de tristeza e melancolia, ressaltada pelo brilho de seu longínquo olhar a espreitar o horizonte sem fim, como que em busca de algo ainda intangível.

– Alfheim – ela falou baixinho mais uma vez.

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Nynther contemplava a região uma vez mais. Como era bela!

É verdade que o local onde ele e seus comandados se instalavam não era um lugar nada mal também, mas o meio-elfi tinha a civilidade e percepção necessárias para saber reconhecer algo belo. Principalmente na natureza, estava no seu sangue afinal. Aliás, sobretudo na natureza! Ele tinha consciência do valor de cada pedaço selvagem da região. E as respeitava. Isso porque ele também sabia se comunicar com o selvagem. Afinal, ele também era parte disso assim como todos os seres.

O meio-elfi pertencia a um tipo de guerreiros, geralmente solitários, que mantêm um acordo honrado com o domínio de Illavin, isto é, a Natureza. Mais que isso, são tidos como os guardiões dela. Para eles, o Equilíbrio é a mais vital das crenças e das forças. Muitas vezes são frios e reservados, confiando apenas em seus leais companheiros, os animais, ou em seus colegas de credos, os sacerdotes da natureza. E Nynther confiava em poucos. Mas o que um guerreiro daqueles estava fazendo junto a bandidos? Esta resposta será conferida mais tarde. Por ora, Nynther estava apenas a contemplar o vale rochoso.

O remorso apertava-lhe cada vez mais. Dali a pouco ele teria perdido a vontade de dar a ordem que sabia que teria que dar.

Seu cavalo relinchou baixo, bufando logo em seguida, talvez como reclamação pelo frio. Nynther segurou firme as rédeas com os dedos um pouco entorpecidos. Outro pensamento lhe veio a mente: A de sua terra natal. Aquela terra era bela sim, mas em nada se comparava à sua terra que ele fora obrigado a deixar. Era até engraçado como os dois vales eram até parecidos, mas em sua terra havia um cintilante lago prateado e as árvores eram mais robustas.

Novo relinchar do cavalo. Desta vez era Laighas se aproximando de novo.

– Nynther! Os homens já estão posicionados e impacientes. Os cavalos estão com frio. O quanto antes atacarmos, melhor! – falou.

Nynther nada disse, apenas esporeou o cavalo para perto dos outros homens. A simples presença dele inspirava um respeito medroso nos comandados. Nenhum deles ousou falar. Nynther olhou nos olhos de cada um e viu o motivo de estarem ali. Chamou-lhe a atenção um jovem do bando. Seu nome era Chander. Talvez fosse o que tivesse os olhos mais vivos dali.

– Muito bem rapazes, estamos aqui e vamos fazer o que deve ser feito. Vocês sabem muito bem as ordens que lhes foram dadas. Evitem também movimentos desnecessários. A vida de vocês é preciosa para mim. E nada de eliminar vidas inocentes entendido? – falou em voz alta Nynther.

– Sim chefe! – responderam em coro os cavaleiros.

Nynther virou-se para o garoto: – Você, Chander! Venha comigo!

– Como quiser, senhor – respondeu o interpelado movendo o cavalo para perto de Nynther.

– Não sou senhor de ninguém e você sabe muito bem disso. Quero que você me acompanhe no ataque.

– Como quiser, meu senhor – retrucou o rapaz.

Nynther já havia se virado quando parou ante àquela resposta insolente. Se virou novamente para fitar o jovem e aparentemente orgulhoso garoto.

– Quantos anos você tem? – perguntou.

– Quinze, senhor.

O meio-elfi voltou-se uma vez mais para o vale e avistou a vila. Quinze anos! – ele pensou amargurado. Moleques que mal haviam entrado na adolescência e já portanto uma espada, em batalhas de vida ou morte, convivendo com o gosto e cheiro de sangue.

Pensou no jovem. Era realmente bem jovem, mesmo para padrões humanos. Possuía cabelos curtos, ondulados de tez negra, sendo seus olhos da mesma cor. Sua pele era de um moreno leve, queimado pelo sol, assim como os homens do bando. Estava trajando uma armadura um pouco velha de couro, com botas de montar, também de couro.

Era por causa de jovens como Chander, ou homens como os guerreiros de seu bando que Nynther tinha porque tinha que fazer o que iria fazer, porém seus comandados ainda não o sabiam.

– Atacar! – ordenou laconicamente.”

Uma resposta to “Lâminas do Inverno – Ataque na Vila 2”

  1. U_U hehe…

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