Lâminas do Inverno – Ataque na Vila

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Abaixo segue um trecho do primeiro capítulo de Lâminas do Inverno. O prólogo você pode conferior no link ao lado: Lâminas do Inverno.

“Forwën acordou com um susto. O coração batia apressado e suas mãos tremiam. Ela estava a suar frio.

Passado um tempo, conseguiu se acalmar: – Um pesadelo! – Foi o que falou, soltando um suspiro conformado. Ela olhou para o lado, para a janela fechada e viu que o sol já se levantara por causa dos raios que ultrapassavam as frestas de madeira. Porém, permaneceu ainda deitada, confusa, voltando à realidade aos poucos. Por fim levantou-se cambaleante da noite mal dormida e caminhou até a janela de madeira tosca.

Parada ela permaneceu, deixando o Sol esquentar seu belo corpo. A sensação do frescor do amanhecer era maravilhosa. Com isso, Forwën finalmente se sentiu desperta, apesar que a imagem do sonho ainda estava em sua mente.

– Não é hora de pensar nisso – falou para sim mesma, pensativa.

Em seguida ela caminhou para um pequeno espelho rústico que se situava em um dos cantos do modesto quarto. O ambiente apesar de simples, não era de todo desconfortável. Pelo contrário, oferecia até um certo conforto para os viajantes mais exigentes, exceto é claro, àqueles acostumados ao luxo. Compunha o todo, de uma cama baixa, dois baús, uma escrivaninha de madeira já carcomida de cupins, o espelho (que por sinal estava um pouco rachado em sua parte superior) e um cabide tanto para roupas, quando para armaduras. A de Forwën estava lá, pendurada. Pendia encostada na parede sua espada e provavelmente nos baús se encontrava o resto de seu equipamento de viagem.

Isso porque aquele quarto pertencia a uma taverna que oferecia dentre vários serviços, o pernoite para viajantes, como Forwën.

Ao mirar-se no espelho, ela viu uma moça de média estatura, cuja idade era difícil de atinar. Um observador cuidadoso notaria alguns traços de menina que acaba de deixar a adolescência, mas mantém ainda algumas características infantis. Porém, em seus modos, em seu jeito, poder-se-ia encontrar já uma mulher, esbelta, quando muito, com dezenove anos. Sua pele era de um alvo delicado, seus pequenos lábios eram bem delineados, de um róseo vivo, o nariz fechava o conjunto facial, vindo a combinar perfeitamente com o seu rosto. O que mais chamava a atenção nela, entretanto, eram seus olhos e seus cabelos. Os olhos eram de um verde esmeralda, vivos, como se uma chama verde estivesse a dardejar luz própria dos mesmos, enquanto que seus longos cabelos eram de um branco como a neve.

Pode ser meio difícil compreender como uma pessoa tão delicada poderia usar uma armadura e uma espada. Nem mesmo Forwën compreendia. O fato é que a arma servia apenas para sua proteção, ou em algum caso mais desesperado, para arranjar algum dinheiro caso precisasse fazer algum serviço como mercenária.

Acontece que Forwën não estava em busca de riqueza, ou mesmo de trabalhar como mercenária. Não. Sua meta era algo bem maior.

E era nisso que ela pensava enquanto vestia lentamente a sua armadura.

Novamente ela caminhou para a janela, sentindo agora a brisa dos ventos do inverno que estava próximo. Ela apertou-se contra si em sua capa. Mesmo acostumada ao frio como ela era, aquele vento a fez ter um estremecimento. Sua respiração provocava um vapor cristalino devido ao frio.

Pensando em seu propósito, ela contemplou a bela vila situada em meio ao vale Torn na orla da floresta de Brantorn.

Apenas uma palavra formou-se em seus lábios:

– Alfheim…

Realmente aquele seria um dia agradável afinal, pensou ela.

———————————

Eram aproximadamente vinte cavaleiros, o que consistia uma pequena tropa. Cavalgavam em trote lento, seguindo uma fila indiana. Pelo aspecto deles, qualquer viajante que os avistasse, procuraria fugir o quanto antes para evitar encrencas. Não que eles parecessem tão maltrapilhos assim, mas afinal, à primeira vista podia-se ver que se tratavam de bandoleiros.

Seu líder entretanto, em nada se parecia com os seus companheiros. Seguindo à frente, ele pensava no que iriam fazer dali em pouco tempo. Sombrio, parecia até que ele estava pesando as ações que se seguiriam. Tratava-se de um meio-elfi, de tez um pouco morena devido à exposição ao Sol. Era alto, forte, com longos cabelos castanhos escuro a cair sobre os ombros. Em sua face, uma expressão fria e severa. Ele vestia uma armadura de um couro muito bem trabalhado. Em seus quadris pendia uma cimitarra de cada lado.

Imerso em seus pensamentos ele não percebeu quando o segundo líder do bando aproximou rapidamente em seu cavalo. Seu jeito de conduzir o animal era um pouco descuidado, como se estivesse avaliando sua capacidade de cavalgar, mantendo-se seguro na sela.

– Finalmente você decidiu atacar. Eu te falei que precisaríamos disso cedo ou tarde.

O meio-elfi, a quem era dirigidas essas palavras, ignorou por um breve instante seu interlocutor. Com um suspiro, deixou os seus pensamentos e encarou o subordinado.

– Sei o que você está pensando – respondeu.

– Então – tornou o outro – dê-me permissão para comandar os homens e…

– Não. – interrompeu o meio-elfi – Minhas ordens são claras: apenas os víveres necessários ao acampamento. Nada mais que isso.

– Mesmo assim precisaremos de mulheres.

O meio-elfi estreitou o olhar:

– Apenas UMA – disse com ênfase na última palavra – não mais que isso.

– Ora Nynther! O que diabos faremos apenas com uma? Já disse que essa sua moleza ainda será prejudicial a nós. Os homens também têm o direito de divertir-se!

Nynther endureceu ainda mais o olhar.

– Eu já disse e não repetirei mais, Laighas – respondeu friamente – nós não estamos indo nos divertir, mas sim adquirir os víveres necessários. Se for me desobedecer, diga de uma só vez!

Laighas imediatamente ia responder algo, mas pensou melhor e disse friamente com ironia:

– Sim, como desejar, senhor comandante.

Nynther observou Laighas se afastar. Sabia que o subcomandante estava furioso, mas na verdade ele não se importava o mínimo com isso. Voltou a seus pensamentos.

– Brantorm – murmurou em voz baixa.

Olhando o vale abaixo, erguia-se a pequena vila, rodeada de árvores em meio a um relevo acidentado.”

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