Mina Lilien

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Vamos então às primeiras informações sobre meus personagens. Como obviamente não podia deixar de ser, a primeira a ser comentada é a Mina, antiga Minako Shimizu (minha época de fã babão) que por sinal já foi chamada de Michelle.

Sem dúvidas ela é minha personagem mais desenvolvida. Seja por tempo gasto pensando em seu arquétipo seja por tempo de criação e modelagem. Posso dizer hoje, que nesse meio tempo ela sofreu um brusco processo de reinvento.

Mina, é uma personagem que foi criada há praticamente 10 anos. Isso mesmo, você leu bem. Gastei longos 10 anos desenvolvendo essa personagem até abrir os olhos e chegar a uma conclusão definitiva sobre ela. Eu era na época um moleque de escola e já com a cabeça no desenho e ilustração. Resultado: em vez de prestar atenção nas aulas, lá estava eu a desenhar e rabiscar nas últimas folhas do caderno.

Em dado momento, eu desenhei uma personagem genérica qualquer, sentada. Apenas uma ilustração sem compromisso e valor. Era o primeiríssimo desenho de Mina que você pode conferir ao lado.

1º desenho de Mina

1º desenho de Mina

É, eu guardo grande parte de meus desenhos antigos. Não porque eu viva de passado, longe disso! – Mas, o motivo é que é legal você ver a própria evolução no traço e mais importante: manter um arquivo de seu período amador e profissional naquilo que você escolheu. Como você já deve ter imaginado, tenho pilhas e pilhas de papéis de desenhos antigos estocados aqui.

E sim, no desenho ao lado, na folha de trás há um personagem de Dragon Ball (meu vício e tormento na época). Tormento porque eu só sabia copiar isso, o que me criou dificuldades para estabelecer um traço próprio, uma vez que o traço de DB é algo próprio do Toriyama.

Mas, voltando ao assunto do tópico. Não sei porque, a personagem tinha um certo “ar” que me levou a desenhá-la mais vezes, desenvolvendo-a fisica e esteticamente, como a roupa que ela usa e o cabelo (que era longo no inicio).

Neste período posso dizer que ela foi importante para mim, já que ela foi desenvolvida em circunstâncias especiais (apesar do caráter despreocupado da primeira ilustração). O nome Michelle foi também uma coisa despreocupada. Perguntei para um amigo que nome daria a ela, e ele disse: “Tem cara de Michelle, bota Michelle). Então ficou o nome.

Mais tarde, quando virei o clássico fã-boy viciado em animação japonesa, daqueles totalmente bitolados que desprezam o comics estadunidense e outras formas de quadrinho, o nome dela virou Minako, que foi um nome que vi em uma revista aí de outro amigo. (não, não foi por causa da personagem de SM). O sobrenome Shimizu foi por causa de uma revistinha dos CyberCops (alguém se lembra?), na qual tinha a personagem Shimazu. Eu apenas alterei a vogal do meio.

Concept básico da personagem
Concept básico da personagem

Pronto, estava criada a personagem. Depois eram apenas ilustrações e mais ilustrações. Até que em um dado momento pensei em criar uma história tendo ela como base central (cometendo o erro de fazer a história em torno da ilustração – crianças, não façam isso em casa!). A verdade é que você pode criar uma ilustração que por si só conte uma história, mas não uma HQ.

Bom, de certa forma, botei minha cabeça de fã-boy para funcionar. Até que a fiz com o velho desenho clichê, com asas. Decidi: vai ser uma HQ sobre anjos e demônios (duh).

Ok, eu não conhecia Angel Sanctuary na época e muito menos alguma HQ que envolvesse o tema.

Na verdade, era tudo chapinhação dos animes que eu assistia: Havia um garoto de uma raça antiga que controlava raios, o Roalmeh que não tinha nada a ver com o Roalmeh atual (a ele vai ser dedicado um post próprio também), uma garota anthro, com corpo de gato (pois é…) e  por aí vai. Tinha até um cara que era um humano evoluído mestre em artes marciais.Tinha até um cara com uma máscara cobrindo a parte inferior do rosto.

Dá para imaginar tal salada? E para variar, tirando o Roalmeh, os nomes era praticamente todos japoneses: Harumi, Kenzo, Kemaro (esse inventado, mas com fonética parecida com nome japa)…

Cheguei até a fazer um começo, com 20 páginas mais ou menos e com capa. O roteiro, MAIS DO QUE BATIDO, começava com a Mina(ko) acordando atrasada para a escola e tendo umas visões no caminho. Então do nada a Terra começava a ser assolada por catástrofes e ela era teletransportada para outra dimensão, paralela. Você pode conferir a capa e a 1ª página logo abaixo. (Se alguém quiser, eu jogo a HQ na net para você ver como NÃO SE DEVE FAZER uma HQ.

Capa da Primeira HQ

Capa da Primeira HQ

Primeira página, 2001

Primeira página, 2001

Até isso eu fiz...

Até isso eu fiz...

Tosco não? Pois é, hoje, apesar de eu dar risada com isso, foi muito importante na época. Felizmente eu nunca lancei isso em canto nenhum. Nem em internet (um luxo na época, acho que nem hospedagem de graça existia, não lembro) e obviamente nem em fanzine. Apenas tinha as páginas desenhadas.

Tempo vai e tempo vem, continuei a desenvolvê-la. As cores, como você já viu lá em cima não mudaram. Cabelo castanho e olhos verdes foram o que me acompanharam ao longo do tempo.

Um dos primeiros coloridos da Mina(ko)
Um dos primeiros coloridos da Mina(ko)

Uma coisa no design dela que perdurou bastante tempo foi essa mecha de cabelo caindo no rosto. O porquê disso não existe. Apenas bobagem estética de cabelos “vivos” de personagens de mangás. Até que houve uma hora em que decidi dar o basta nessa mecha inútil e retirá-la, deixando o cabelo um pouco mais “normal”.

Novamente decidi dar uma olhada na antiga HQ e resolvi mudar tudo aquilo. Uma raça de gatos? Moleque que controla a eletricidade misturado? Não dava.

Então veio a idéia (tosca) de fazer a história de anjos e demônios, mas com um enfoque mais profundo na trama. Isto é, envolvendo com mais profundidade o tema, abordando o cristianismo, islamismo e judaísmo. Novamente vem a pergunta: Por quê? – Simples, primeiro por causa da “síndrome” de fã-boy, segundo porque eu queria fazer uma bela duma crítica nestas três filosofias religiosas e suas religiões.

Peguei alguns dos personagens da primeira história (?) e os modifiquei, adicionando alguns novos também. Eis que então estava a história sendo envolvida na Cabala Judaica. Nesse meio tempo, eu estava deixando de ser “extreme fã-boy” e estava realmente a pesquisar o assunto. Os personagens deixaram de ter nome japonês com exceção de Mina(ko) que seria no caso uma descedente de japoneses. Surgiram então alguns personagens como a Rachel (que era Keiko na 1ª história) que seria um anjo disfarçado a vigiar Mina(ko).

Meu mundo decaiu quando ouvi falar de Angel Sanctuary pela primeira vez. Eu obviamente já sabia que existia histórias envolvendo anjos e demônios, mas não que houvesse algo com envolvimento mais profundo.

Em minha teimosia burra decidi ainda assim manter a história, mas com roteiro diferenciado com profundidade ainda maior no assunto. O foco ainda era as visões de Mina(ko). A história era algo mais ou menos assim: Ela seria não a reincarnação, mas sim a própria Lilith da mitologia judaica que havia sido selada no plano terrestre de Assiah pelos 10 Sefirots (de Kaether até Malkuth). Estava havendo então uma nova rebelião de anjos, pois o deus cristão havia se cansado do mundo e dado o controle as suas crias. Logo, cada um desejava o poder de Lilith para si. O problema é que ela era dividida, o lado bom, angelical, e o lado ruim, demoníaco, representativo dos seres humanos. (Estava aí plantada a semente para os dois lados de Mina). Por fim, a história terminava com todo mundo morrendo e ela ficando louca.

Eita testão
Eita testão

Uma imagem já mais a frente, como você deve ter notado pelo traço. Surge já o protótipo da Mina de cabelo preto.
Uma imagem já mais a frente, como você deve ter notado pelo traço. Surge já o protótipo da Mina de cabelo preto.

Felizmente também, essa porcaria jamais foi publicada, e nem será.

De resto, vieram mais ilustrações e ao mesmo tempo fui desenvolvendo outras histórias. Até que finalmente uma luz veio do céu e iluminou minha mente😀.

Não, apenas abri finalmente os olhos e olhei para trás. Eu tinha algumas palavras-chave que poderiam me ajudar em um roteiro, eu tinha alguns personagens, faltava apenas organizar isso tudo. Tudo mesmo, do zero. Reinventando o personagem, trazendo-o a algo mais próximo do leitor. Como fazer isso então?

Ora, a personagem foi criada em um momento sombrio para mim, nada mais natural que ela também o fosse. Mais que isso… a palavra-chave principal é: Loucura. Porque a Mina é isso, um pedaço de cada um, porque todos nós temos um quê de demência em nós, seja em atos de fúria, de ouvir vozes, de falar sozinho, de desejar algo que nunca terá, e por aí vai. É assim que a personagem central irá se comunicar com o leitor. Resumindo: a história passou de aventura besta de fã-boy com poderezinhos toscos para um gênero de horror psicológico.

Muitas coisas foram reaproveitas, como por exemplo os pesadelos de Mina, sua loucura e sua inocência em muitas coisas (o que deu o título a série).

Porque a história fala de altos e baixos e como aos poucos uma pessoa gentil e meiga, pode ser desfigurada pela sociedade. Como a Inocência pode se perder.

Por fim, vocês podem notar que o centro de tudo é Mina. Personagem é a palavra. O nome, Mina Lilien tem um significado: Mina é um nome de origem teutônico que significa Amor. Mas também, foneticamente falando tem o mesmo som de “minna” que significa algo como “todos” em japonês. Lilien é apenas uma modificação do nome LiliAn, cujo significado remete a: (tchan tchanraaam) – Inocência, Mulher Pura. Em outras palavras, Amor Inocente ou Todos Inocentes. Porque somos todos inocentes quando nascemos. À medida que crescemos a sociedade e a educação nos molda fazendo-nos perder certos valores preciosos.

Portanto, Mina sou eu, Mina é você, somos todos nós.

Nota: Se quiser saber mais sobre Inocência, acessa a página aí do lado

10 Respostas to “Mina Lilien”

  1. Então… cara ainda nem li todo esse texto… mas pelo que vi passei por fases semelhantes… até sua história “de anjos” tem muito haver com minha ultima tentativa de fazer algo do gênero… axo q se for ver tudo o q contou ainda não cheguei a fase “da grande ideia”… tenho personagens q sempre reinvento… tenho rascunhos deles de 5 anos atrás …
    por enquanto só estou fazendo ilustrações, aprendendo com os erros e tal…
    soh queria dizer tu tah de parabens… tou achando bem legal o blog…
    flw!

  2. bem legal o blog vou linkar no meu =]

  3. Meu caro Raffaello. Primeiramente, gostaria de agradecer pelo seu apoio!

    Pois é. Com muito gente é assim. A gente vai tentando, tentando, botando a cara para quebrar até que “pá!” algo lhe atinge e você diz: “é isso mesmo!”. Se você aprende com os seus erros, significa que você é um cara esperto. Com certeza se você parar um pouco e refletir sobre o que você já criou, algo lhe surgirá!

    E nunca perca os teus desenhos antigos. Eles sempre terão aquele pequeno valor sentimental😀.

    Valeu e não deixe de acompanhar as coisas que vêm por aí!

  4. Opa, nem sabia que você também tinha um blog.

    Gostei das postagens. Sempre adorei ver “wips”. É legal ver como cada um trabalha. Dá inspiração =].

    Bem, teu blog será linkado aqui também!

  5. Tiu NomaDzzzz num sabia q vc tunha istoria de anjinhu naum… [todo mundo iventa uma]…aff😄 [Angel’s Cry, Angels of Blade, MA.GA.MI, Onegai Detectives, Jared Tenshi]… tudo conto de anjinhu… =P

  6. Pois é… eu já tive esse momento negro da vida😄. Se eu futuramente for fazer algo do tipo, vai ser com uns anjos sanguinarios do mal😀 (e na Terra de preferência).

  7. […] rascunhado desde aquela mafaldada tentativa frustrada de HQ que eu tinha feito séculos atrás (vide post sobre Mina Lilien se você não se lembra). Para variar, naquela época, em minha fase de puro metido a otaku babão o nome dela era Keiko […]

  8. Lillien Fernandes Says:

    adorei..^^

  9. Olha só! Uma quase xará da Mina! Que bom que tenha gostado, fique ligada porque vem mais material por aí!

  10. […] história dos anjinhos felizes. Tá lembrando? Não? É novo por aqui? Então leia o post: Mina Lilien e saberá do que estou […]

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